Sabores de open source

Não é um pretzel verde

Não é um pretzel verde

Preconceito. Essa é uma reação muito comum entre executivos de TI em relação a produtos open source. A imagem que eles tem de projetos open source é de que eles são feitos por gordinhos cheios de espinhas que escrevem código nas horas vagas. Afinal, uma coisa que é de graça não pode ser boa, não é?

O que muitos desses caras não sabem (os executivos, não os gordinhos espinhentos) é que software open source não é necessariamente de graça. Não necessariamente quem produz software nessa modalidade trabalha por caridade ou por ser idealista. É uma questão de modelo de negócios.

Um modelo que evoluiu bastante nos últimos dez anos é distribuir software de graça e open source (os dois não são sinônimos) e cobrar por suporte, treinamento e consultoria. Outro é oferecer versões gratuitas que resolvem o problema da maior parte dos usuários e vender uma versão mais turbinada. Ambos os modelos tem se mostrado lucrativos, quando o produto é bom, obviamente. Além disso, muitos projetos são financiados por firmas grandes de investimento.

O nome de que todo mundo se lembra quando falamos disso é a Red Hat, que além de ter uma distribuição de Linux muito popular, também é dona do JBoss, um dos servidores de aplicativo Java mais usados no mercado. Em 2007 a Red Hat teve um faturamento de mais de U$ 400 milhões. Impressionante se considerarmos que eles concorrem diretamente com Microsoft, Oracle e IBM, além de uma cacetada de distribuições Linux.

Mas existem vários outros exemplos de bom projetos open source que tem estrutura de empresa “normal”, ou seja, que tem um modelo finaceiramente sustentável. Alguns que me lembro agora:

  • SpringSource: inicialmente só distribuiam o framework Spring, uma alternativa mais leve e mais fácil de usar às arquiteturas enterprise padrão de mercado. Não só o framework amadureceu, mas a empresa oferece diversos outros produtos, além de treinamento, suporte e consultoria. Tem entre seus clientes, a NASA. Toyota, Samsung, Cisco. E há pouco tempo a SpringSource adquiriu outra empresa, a Hyperic, outra empresa de Open Source, que faz software de monitoramento.
  • Terracotta: já falei desses caras em um post anterior. Desenvolvem uma solução de cluster para servidores Java. Tem clientes como JPMorgan, Hitachi, Adobe e Eletronic Arts.
  • Alfresco: gerenciamento de documentos eletrônicos altamente customizável. Um de seus fundadores é o John Newton, um dos caras que criaram o Documentum da EMC, por acaso um sistema de gerenciamento de documentos eletrônicos. O que significa, que o Alfresco não foi concebido como um hobbie, ele foi criado a partir da experiência adquirida fazendo um software comercial (e caro) e que se tornou um de seus principais concorrentes.
  • Pentaho: business inteligence ao alcance de todos. Business Inteligence é o tipo de sistema que normalmente é bem caro e se for mal implantado ou mal conduzido não tráz muito benefícios. Porque não experimentar uma opção mais acessível? Diminuir os custos e os riscos. Isso sim é business inteligence.
  • Intalio: sistema de gerenciamento de processos de negócios (ou Business Process Management). Outro que está na categoria “sistemas que custam o olho da cara”. Já cheguei a baixar a versão community que é gratuita e não consegui muito progresso, mas isso já faz algum tempo. Considerando os outros softwares de BPM que já vi, acho que está na média, não parece estar defasado, mas também não me impressionou. Mas tem alguns clientes grandes, como a Accenture, a Cisco e a Petrobras.

Isso tudo sem entrar na discussão ideológica sobre software livre vs software proprietário. O que eu quero com este post é talvez acordar alguém, que ainda tenha a mentalidade de que esse tipo de software não presta. Já vi muito produto caro, de qualidade estupidamente inferior, mas que tinham preço alto por causa do fabricante famoso. “Sistemas de grife” .

Uma resposta para “Sabores de open source

  1. Aum tempo atrás eu vi um ERP open que me parecia bom, mas para dizer se era bom eu terria que ter usado e não foi o caso.
    Existe hoje open source até na eletronica embarcada de automóveis. Eu uso um software na injeção do meu fusca chamado Megasquirt. Os termos são diferentes mas a idéia é a mesma.

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