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Negócios que qualquer programador poderia criar

Depois que o Bill Gates se tornou rico e a profissão de programador se tornou mais conhecida, existe uma expectativa de que pessoas com a habilidade de escrever softwares se tornem empreendedores. Existem incubadoras e investidores nos Estados Unidos que só investem em empresas que têm desenvolvedores em seu time de fundadores. E nos churrascos de família seus parentes estão sempre olhando para você e se perguntando porque você ainda não criou o próximo Facebook.

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“Quando você ficar rico lembra que eu te dei a maior linguiça rs.”

E muitos deles pensam em seguir esse caminho, mas esbarram na desculpa da falta de ideias. Eles olham para o que o Google faz e sentem que não tem capacidade técnica suficiente ou que vão precisar de muita ajuda para construir algo. Ou olham para sistemas que as empresas compram como ERPs, CRMs, sistemas de RH e não entendem os problemas que esses produtos resolvem, e por isso não sabem como poderiam criar algo assim.

Mas um programador não precisa ter PHD em Stanford ou ter sócios que entendem de um domínio muito específico de negócio para criar um produto e começar uma empresa. Existem problemas que já estão a seu alcance, e pessoas dispostas a pagar para resolver esses problemas.

Para ilustrar vou dar exemplos de algumas empresas que começaram com produtos que são tecnicamente muito fáceis de construir. Ideias tão simples que provavelmente já passaram pela cabeça de muito programador, mas que por acharem que era simples demais também devem ter pensado que não teriam como lucrar com elas. Ideias que quando você vê funcionando como empresas, fica se perguntando como não pensou nisso antes (mesmo já tendo pensado nisso).

Buffer

A Buffer é uma ferramenta que posta atualizações em suas redes sociais em horários agendados ou calculados. Sua empresa pode usar a ferramenta para divulgar um link em todas as suas redes sociais sem ter o trabalho de entrar em cada site e postar o conteúdo no horário certo.

O básico desse serviço pode ser feito por um script que execute no horário certo (usando um job de cron por exemplo) e faça chamadas de API para disparar a postagem do conteúdo. E na verdade, foi assim que eles começaram.

Hoje a Buffer tem receita de mais de U$ 600 mil/mês, com pelo menos 46 mil clientes, de acordo com seu dashboard aberto na Baremetrics.

StatusPage

A StatusPage fornece um site onde uma empresa que tem serviços online pode mostrar informações sobre o status de seus serviços, e fornecer atualizações a seus usuários sobre os problemas que estão afetando sua disponibilidade. Por exemplo, o Kickstarter usa o StatusPage para atualizar seus clientes sobre o progresso de alguma correção no site caso ele saia do ar por problemas técnicos.

O serviço deles é basicamente um site, algo que poderia ser feito por alguém que não sabe programar. Bastaria saber configurar um CMS. É um serviço tecnicamente fácil de fornecer.

Mas os clientes da StatusPage vêem valor no que eles oferecem. A última vez que a StatusPage divulgou números de sua receita foi em janeiro de 2014, quando atingiram U$ 25mil/mês.

StoreMapper

A StoreMapper fornece uma busca de lojas físicas para que um comércio que tenha vários endereços ou fábrica que fornece produtos para várias lojas permitam que um cliente encontre um endereço onde pode fazer a compra usando seu site.

Criar algo assim poderia ser muito complexo, a não ser que você fizesse como a StoreMapper e usasse a API do Google Maps para exibir os resultados. Isso torna a implementação do serviço muito mais fácil.

Atualmente a StoreMapper tem 889 clientes e receita de U$ 15 mil/mês, de acordo com seu dashboard aberto no BareMetrics.

A sua ideia

Que fique claro que não estou dizendo que é fácil criar uma empresa. O básico de cada exemplo que listei pode ser implementado por qualquer programador, mas é claro que com o tempo esses empreendedores foram melhorando o produto para que ele forneça muito mais valor a seus clientes. Além disso, o sucesso de uma empresa não depende só da parte técnica.

O que quero dizer é que boas ideias para negócios podem vir de problemas que estão a seu redor e que podem ter soluções simples que estão ao seu alcance.

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Pequenas histórias de pequenas empresas milionárias

Eu já escrevi aqui que desenvolvedores tem vários recursos para se tornarem donos de seus próprios narizes e quem sabe mudar um pouco o mundo. Mas provavelmente muitos devem olhar para o que eu disse e se coçar para não postar um comentário como “ok amg, mas como é que eu vou brigar com o Google, IBM e Microsoft se nem sei fazer miojo?” ou “como eu vou montar uma equipe grande o suficiente para fazer um produto que alguém compraria? como eu pago esse pessoal? com o corpo??”. Por isso achei que era a hora de dar alguns exemplos, para quem sabe mudar a cabeça dos incrédulos e para inspirar os que já estão convencidos da idéia.

Resolvi pegar dois exemplos de empresas pequenas, que ficaram milionárias em um curto espaço de tempo, que não receberam nenhum investimento externo e que basicamente começaram como um empreendimento de uma pessoa só, empresas em que apenas o fundador fazia tudo no começo. Alguns podem dizer que U$1 milhão é pouco para uma empresa, e realmente é o que a maioria do pessoal que trabalha com Venture Capital iria pensar já que eles estão correndo atrás dos próximos Googles e Facebooks. Não sei vocês, mas eu já estaria bem confortável nessa situação, e principalmente orgulhoso de saber que aquele milhão fui eu que construí.

Tentei resumir ao máximo a história das empresas só para que o maior número de pessoas as conheçam, mas recomendo que os interessados se aprofundem, leiam as entrevistas completas, blogs e twitters dos empreendedores. E sem querer desmerecê-los, já que obviamente são pessoas muito competentes, pense se não poderia ser você contando essas histórias.

Twitpic

Em 2008, um sujeito chamado Noah Everett, na época um programador web, montou um site para ajudar a compartilhar fotos no Twitter, chamado Twitpic. Fez isso usando um único servidor, pagando do próprio bolso, desenvolvendo sozinho o serviço. Por um ano e meio ele era a única pessoa da empresa. Hoje a empresa tem quatro funcionários (Noah, seu pai, sua mãe e um programador contratado que ele nunca viu pessoalmente). Hoje o site é um dos serviços mais populares do Twitter, prestes a atingir a marca de 6,5 milhões de usuários e faturando aproximadamente U$1,5 milhões por ano.

Você pode assistir uma entrevista com Noah aqui (em inglês). E visitar o Twitpic aqui.

Balsamiq

Em março de 2008, o italiano Giacomo Guilizzoni fundou a Balsamiq Studios, para vender um software chamado Mockups, usado para fazer wireframes, muito úteis nas fases de prototipação de softwares e websites. Giacomo que já foi Engenheiro de Software Senior na Adobe, sendo um dos responsáveis pelo Adobe Connect por exemplo, gostava de desenvolver software, mas também se interessava muito por business e queria ter seu próprio negócio. Mesmo sendo uma empresa de um homem só (e ajudado pela esposa), ele conseguiu 5000 clientes em menos de 11 meses e só contratou o primeiro funcionário em 2009. Hoje a empresa é formada por quatro pessoas, contando com sua esposa e registrou lucro em 2009 de exatos U$1.139.919,59.

Você pode ler uma entrevista com Giacomo aqui. Outra mais recente aqui. O site da Balsamiq Studios é este aqui.

Se você conhecer mais histórias como essas, compartilhe conosco aí nos comentários. Me ajude a inspirar os próximos milionários.

Desenvolvedor de software: esta é a sua era!

Houve um tempo em que você precisava encontrar um poço de petróleo para ficar rico. Em um passado mais recente, você precisava ter as manhas (e os nervos de aço) de Wall Street para isso. Mas hoje, mais do que nunca, estamos vivendo a era do desenvolvedor de software, do programador, do engenheiro!

Provavelmente muitos estão pensando que eu cheirei uma mistura de 7 drogas alucinógenas para escrever isto, porque trabalham na área e, apesar de não ganhar um mau salário estão longe de poderem se declarar milionários ou algo do tipo. Muitos provavelmente acham que poderiam ganhar mais e alguns até migram para outros países para ter um rendimento melhor.

Mas acreditem em mim quando digo: nunca antes esteve tão próxima a possibilidade para uma pessoa esperta, com um computador conectado à internet, de fazer muito dinheiro, de gerar um império e de posar tomando champagne na ilha de Caras.

Pode ser você na próxima capa!

Pode ser você na próxima capa!

Então quais são os fatores que tornam o presente tão especial assim para quem escova bits? Em nenhuma ordem em especial, eis a pequena lista:

  • Software de código aberto e de graça: hoje podemos dizer que software livre é uma realidade madura, não apenas um sonho de programadores barbudos. Tanto que existem empresas que se baseiam em open source e não precisam vender seus rins para continuar funcionando (ou podem ganhar algumas centenas de milhões como no caso da SpringSource). Hoje uma pessoa pode iniciar um negócio sem precisar gastar fortunas com software ( e normalmente desenvolvedores são bons o suficiente para lidar com esse tipo de software). Além disso, como estamos falando de desenvolvedores de software, código aberto pode servir como blocos de construção para partes de seu produto ou serviço, diminuindo radicalmente seus custos de desenvolvimento.
  • Computação em nuvem: esta é uma tendência bastante recente e que ainda está amadurecendo. Graças à computação em nuvem você não precisa ter um CPD só seu, ou comprar uma porrada de servidores que você nem sabe se vai precisar e ainda ficar mantendo. A computação em nuvem permite que alguém tenha à sua disposição uma enorme quantidade de poder computacional a um custo muito baixo,  proporcional à sua necessidade. Se você é um desenvolvedor, esta é a forma mais barata de disponibilizar algum produto/serviço para um grande público e poder aumentar seu poder conforme a demanda aumenta. É uma tecnologia que foi um presente dos céus (ok, esta foi muito infame).
  • Internet e redes sociais: nem a internet, nem as redes sociais são novidade, mas o amadurecimento desse conceito de interconectividade das pessoas amadureceu muito (Twitter e Facebook que o digam). Hoje conhecendo a rede, uma pessoa pode divulgar seu produto/serviço com um custo muito menor e com um alcance muito maior, sem precisar gastar fortunas com uma consultoria de marketing. Hoje você pode lançar serviços para o mundo todo, com clientes que você nunca vai encontrar cara a cara, mesmo que você trabalhe de um pequeno escritório com 10 pessoas (contando com a tia do café). Além disso, hoje você pode aprender qualquer coisa relacionada à tecnologia e programação utilizando a Internet, sem depender de cursos e livros, e de graça.
  • Baixo investimento inicial: os itens acima ajudam muito a diminuir o investimento necessário. Mas se você parar para pensar na idéia de algumas pessoas em uma garagem, com um computador conectado à Internet, deve concordar comigo que existem poucos tipos de negócios que podem ser criados com um investimento tão baixo mas com capacidade de gerar tanto retorno, quanto trabalhar com software. Você não precisa se preocupar com matéria-prima, fornecedores, estação do ano, cotação do dólar (em geral). Tudo vêm da sua cabeça! Pense na poesia disso: você pode construir coisas poderosíssimas a partir do nada! Você é praticamente um deus!

Mas se esses fatores estão aí, são de conhecimento de todos, porque não temos programadores se tornando milionários toda semana (aqui no Brasil pelo menos)? Lembre-se que eu mencionei que o desenvolvedor que tem potencial de tudo isso deve ser um pouco esperto. Na verdade, não só esperto, porque iniciar um negócio, principalmente envolvendo inovação tecnológica, sempre exige uma dose de sorte e perseverança. Se isso não te assusta, o que mais você precisa levar em consideração:

  • Você precisa entender um pouco de negócios: quando digo isso não quero dizer que seja necessário que um cara apaixonado por Lisp precise se tornar o Jack Welch. Mas você precisa começar a considerar o que é mercado, concorrência, receita, fluxo de caixa e principalmente: produto. Comece a estudar casos de sucesso e fracasso que se pareçam com o que você tem em mente. E mantenha foco no mais importante e mais simples: o que eu posso oferecer como produto é algo bom o suficiente para alguém se interessar?
  • Idéias estão por todos os lados: acho que até existe muita gente que tem vontade de começar um negócio, mas a desculpa mais usada é que não tem uma idéia. Acho que quando você começa a dar mais ouvidos para seu chato interior, você começa a ver que falta de idéias não é uma boa desculpa. Sabe aquele produto/serviço/software/sextoy/whatever que tinha algum problema, algum detalhe, alguma coisa que realmente te irritou, e que você queria que fosse diferente? Você pagaria por isso se fosse diferente do jeito que você imaginou? Então está aí, o seu produto. Se mesmo com meu processo de criação você não conseguir pensar em nada, delicie-se com a lista de idéias que o Paul Graham da YCombinator disponibilizou um tempo atrás: http://ycombinator.com/ideas.html
  • Não tente ser perfeito: não sei se é algo que eu posso realmente generalizar, mas acho que na cabeça altamente lógica dos programadores, eles procuram o negócio perfeito, da mesma forma que gostariam de construir software sem bugs. O negócio que vai deixá-los ricos e famosos com o mínimo de trabalho, e vai funcionar de forma perfeita quase como mágica, fazendo o Google se sentir humilhado. Mas isso é perda de tempo. Foque em conseguir fazer algo bom o suficiente. Tentar alcançar o perfeito é simplesmente caro demais. Olhe para as empresas que prosperam, e verá que elas não são perfeitas, nem seus produtos (às vezes, bem longe disso). As melhores são as que focam em fazer algo bom o suficiente.
  • Diminuindo os riscos: você não precisa largar seu emprego para começar um negócio. Vai te custar algum tempo que antes era livre para outras coisas, mas pode ser seu bilhete para um pouco mais de liberdade, em troca de um pouco de stress que o medo do incerto iria te gerar (principalmente se você tem família para sustentar).
  • Obtendo investimento: infelizmente no Brasil não temos tantos casos de investimentos quanto um Vale do Silício, em que você acaba esbarrando com investidores nos restaurantes locais. Mas eles existem. Tente focar no simples: se eu fosse um cara com um bocado de dinheiro para investir e fazer mais dinheiro, eu apostaria no meu negócio? Escreva um plano de negócios e mostre que não investir em você pode ser uma oportunidade desperdiçada.

Eu sei que eu falei muito de dinheiro, mas acho que a regra de ouro é você fazer algo que você vá gostar. Começar um negócio porque você acha que qualquer emprego que te ofereçam ou que você consiga por aí não vai satisfazer seu potencial. Porque se você parar para pensar, tudo que falei dá um trabalho animal, maior do que provavelmente você encara no seu emprego. Se você vai ter muito trabalho, é melhor que seja com algo que você goste (provavelmente se você não gosta, você nem vai aguentar muito tempo tentando). E que a médio ou longo prazo vai te dar alguma satisfação pessoal. Porque o fator mais incerto disso tudo é o retorno financeiro.

E o que vou falar agora vai soar como coisa de livro de auto ajuda, mas é algo em que eu realmente acredito (além do Paul Graham e Guy Kawasaki). Se for fazer algo, faça algo para mudar o mundo para melhor. Sério, soa meio idealista e romântico, mas eu não acho que a promessa de retorno financeiro seja um motivador o suficiente para trilhar esse caminho tão difícil. Quando você faz algo que torna a vida de algumas pessoas melhor, você está mudando o mundo para melhor. Quando você dá o exemplo do que é agir corretamente e com valores, você está tornando o mundo melhor. Você conhece algo mais motivador do que mudar o mundo para melhor?

Faça história!

Startups

Este post é metade análise de um livro que li faz pouco tempo e metade divagações sobre a realidade do tema aqui no Brasil.

O livro. Startup, da Jessica Livingston. Lá fora o livro se chama Founders At Work (e tem o dobro do tamanho). É uma coleção de entrevistas com vários fundadores de empresas de tecnologia, como Apple, Yahoo, Paypal, Adobe, 37signals, entre outros, e foi lançado no Brasil há pouco tempo. Na maioria das entrevistas a autora conversa com os fundadores que são o lado mais hacker da empresa, e por isso na maior parte do tempo o livro acaba recheado de histórias envolvendo problemas e detalhes técnicos (sem entrar em muitos detalhes, obviamente), mas que com certeza surgem para toda empresa que está tentando inovar. Também relatam seus desafios pessoais relacionados a esse desafio de abrir uma dessas empresas que hoje são tão admiradas (e invejadas) por muita gente. O aspecto de negócios fica bem de lado, então não compre o livro achando que vai encontrar dicas de como gerar um negócio milionário.

O livro é uma ótima forma de incentivar pessoas inteligentes a pelo menos pensar na possibilidade de abrir uma startup. Ela mostra como todos esses negócios que mesmo hoje parecendo tão sólidos, passaram por dificuldades, obstáculos, tipo de coisa que fazem as pessoas desistirem de tentar levar a cabo uma idéia, uma vontade e continuar vivendo em seus cubículos. Por exemplo, o Steve Wozniak da Apple quase desistiu de abrir a empresa porque gostava do emprego que tinha. Provavelmente hoje não exitiria um iPhone se fosse por isso. O Evan Williams, que criou o Blogger, ficou um tempo sem dinheiro, trabalhando sozinho, perdeu amigos que trabalhavam para ele e teve que pedir dinheiro de doação para comprar servidores, para manter o serviço de pé. Tempos depois vendeu o serviço pro Google e hoje ele é o CEO do Twitter, alguém já ouviu falar? E para quem se dá a desculpa de que não tem uma boa idéia, sabia que o Flickr começou como um add-on para um jogo que a empresa produzia e acabou virando seu negócio principal? Às vezes boas idéias só vão surgir no meio do caminho, depois que você explora um pouco essa estrada.

Existem outras histórias muito interessantes, mas se você entende inglês recomendo que leia a versão americana que tem o dobro de entrevistas (que não li e não entendi até agora porque foi lançado assim no Brasil).

Startups no Brasil. Startup no modelo como essas do livro, do tipo que se encontra aos baldes lá no Vale do Silício, é bem difícil de se ver por aqui. Mesmo que se diga que o Brasil é um país de empreendedores, empresas que cheguem a esse nível de inovação (e por consequência alto risco) não são muito comuns. Na época da bolha da Internet, em que os investidores investiam em qualquer coisa que terminava com pontocom, até surgiram muitas empresas baseadas em tecnologia, mas a maioria sem um modelo sólido de geração de receita. As poucas que sabiam como gerar receita, como o MercadoLivre e o Buscapé, estão aí, bem firmes no espaço nacional. Ultimamente, com a onda da Web 2.0, outras empresas promissoras estão aí em todas as reportagens que se referem a negócios de Internet no Brasil, como a Aprex, a Camiseteria, a Boo-box e a Via6. Alguns nomes surgem no blog Startupi, mas comparando com outros países, muito poucos.

Muitos dizem que a razão de não existir um fenômeno como o Vale do Silício por aqui é a dificuldade de se empreender neste país. Fosse por isso, não existiriam outros tipos de negócio surgindo, numa proporção bem maior que as de tecnologia. Falta de investimento? Hoje chegamos em um ponto em que nunca foi tão barato criar um produto utilizando um computador e gerar um negócio a partir disso (provavelmente um tema para um post futuro). Se você escreve código e tem um computador a disposição, você já tem quase tudo que precisa, ou pelo menos a parte que seria a mais cara, e você nem precisa largar seu emprego para fazer algo. Junte isso a um plano bem elaborado, em que você mostre que vai um dia equilibrar as contas e ganhar mais dinheiro do que gasta, e pronto, você consegue algum investimento (se ninguém investir nesse negócio, é porque seu plano está ruim, ou o seu candidato a investidor não foi com a sua cara). É lógica de economia de primário.

Para mim existem duas grandes razões para que startups não sejam um fenômeno brasileiro:

  1. Falta de exemplos/modelos: nós não temos uma quantidade tão grande de caras que começaram a trabalhar numa garagem e se tornaram bilionários, como o Bill Gates, Jeff Bezos ou os caras do Google.Lá fora esses exemplos de sucesso são um fator que motiva muita gente a pelo menos tentar. Talvez o Brasil não tenha como gerar um Google, mas com certeza pode gerar bons negócios. E se não temos casos de sucesso (ou se eles são poucos conhecidos) é sua chance de mudar o país para melhor, de incentivar outras pessoas se tornando um exemplo.
  2. Mentalidade de país pobre: nós não somos um país rico, mas também não somos um país pobre. Mesmo assim, acho que muita gente tem essa mentalidade de que não dá para fazer nada muito inovador, avançado tecnologicamente por aqui, porque nós somos o Brasil e não uma potência como os Estados Unidos. Isso faz as pessoas pensarem coisas como “esse negócio de empresa de tecnologia é coisa de gringo”, “aqui no Brasil isso nunca ia funcionar”, que claramente é besteira. E faz as pessoas investirem em certificações, fábricas de software e treinamentos, com a esperança de tornar isso aqui uma versão mais barata da Índia.

Conheço gente muito inteligente, muito competente, que com certeza poderia estar fazendo muita diferença para o país, mas além dos fatores acima, por serem tão competentes, eles podem escolher pela segurança (teórica) de um emprego normal, e ganhar razoavelmente bem para os padrões brasileiros. Claro que empreender é arriscado, é trabalhoso, mas fico me perguntando se as pessoas encontram satisfação em um emprego “normal” na área de TI. Se elas encontram propósito, se podem dizer que estão mudando o Brasil, mudando o mundo.

K.I.S.S (Keep it simple, stupid – Mantenha isto simples, estúpido)

Hoje o MG Siegler publicou um post fantástico, chamado “Keep it simple, stupid“, na Techcrunch. Como o post tem muito do espírito de TI Simples, resolvi traduzir e postar aqui, mas se você lê inglês, sugiro que leia o original e seus comentários. Não concordo com 100%, mas posso dizer que concordo com 89,7% do que ele diz. Segue abaixo:

M-I-S-E. Mantenha isto simples, estúpido. É um mantra que sempresurge em minha cabeça quando estou olhando para novas startups. Muitas delas parecem querer fazer um milhão de coisas diferentes porque as outras companhias tiveram muito sucesso com uma daquelas coisas no passado. Mas isto é uma idéia ruim. Muitos produtos e serviços são complicados demais. E eu diria, que frequentemente fracassam como um resultado direto disso.

Aparentemente, faz sentido oferecer aos usuários várias opções de funcionalidades, e deixá-los decidir o que usar e o que não usar. Mas decisões podem ser um peso. Ainda mais porque usuários normalmente não são bons tomadores de decisão. Pode ser uma blasfêmia dizer que os usuários querem que digam o que eles tem que fazer, mas no mínimo eles querem ser direcionados.

E isto é importante. Porque não é como se a falta de decisões precisa ser limitante. Pegue o Twitter, por exemplo. Começou como um serviço feito para compartilhar o que quer que você estiver fazendo em 140 caracteres ou menos. Mas rapidamente evoluiu para muito mais além disso – em algo que os criadores não previam. Mensagens para outros usuários, links para artigos interessantes, relatórios de desastres – isto vai bem além de simplesmente contar o que você está fazendo, mas eles ainda trabalham dentro dos parâmetros estabelecidos pelos criadores.

Desde a sua criação, algumas pessoas tem dito que o Twitter é uma besteira. Essas pessoas não estão necessariamente erradas, mas até mesmo elas precisam admitir que eles fizeram uma coisa muito certa: Manter o serviço simples. Quantos pedidos para adicionar uma funcionalidade ou outra já não foram enviados? Todos fizemos isso. Mesmo assim, o Twitter (sim, talvez ajudado pelo fato de que no início eles não tinham o número suficiente de engenheiros durante as quedas constantes do serviço), continuou no seu curso e manteve seu produto extremamente simples.

Isso, por consequência, levou a criação de um ecossistema de aplicações de terceiros que rodam em cima do Twitter. E Twitter, o servicinho que todo mundo chamava de besteira apenas há alguns anos atrás, está claramente tendo efeitos diretos em serviços web gigantescos – como o Facebook.

Vamos falar do Facebook por um segundo. A razão número um para eu começar a usar o Facebook ao invés do MySpace há anos atrás é porque ele era muito mais limpo, mais arrumado – sim, mais simples. Mas com uma explosão em crescimento, veio uma explosão de funcionalidades. E, por consequência, uma explosão de complexidade.

Eu argumentaria que essa é uma das razões para tanta revolta quando o Facebook faz mudanças de design hoje em dia. Realmente é bem difícil dominar o uso do Facebook, e um monte de usuários (e desenvolvedores) investiram muito tempo nisso, apenas para ter o tapete puxado debaixo de seus pés por causa de algumas mudanças fundamentais.

Essas mudanças exigem mais trabalho para ser investido em aprender o sistema de novo, e isso tira o principal valor do Facebook: Usar sua rede para encontrar informações sobre seus amigos. Não é surpresa que isso deixe as pessoas irritadas.

Em uma escala muito maior, eu diria que essa é a mesma armadilha em que o Windows cai. Microsoft simplesmente não pode fazer muitas mudanças fundamentais – mesmo que muitas pessoas digam que provavelmente eles deveriam – porque as pessoas vão enlouquecer se eles fizerem. Nós vimos isto acontecer um pouco com as mudanças fundamentais no Vista – apesar de que, para ser justo, a performance do Vista deve ser sua pior desvantagem.

Ao invés disso, a Microsoft está presa em um ciclo de adicionar novas funcionalidades a um produto que é basicamente o mesmo que era há pelo menos uma década, se não por mais tempo. Novas funcionalidades agradam alguns usuários, mas no final, esse ciclo é uma proposição de fracasso. E a Microsoft torna isso ainda pior oferecendo diversas variações de um produto similar onde não fica realmente claro quais são as reais diferenças.

Se você precisa adicionar novas funcionalidades, eu acho que uma abordagem muito melhor é a que o GMail recentemente começou a tomar com o Gmail Labs. Ao invés de colocar funcionalidades novas para todo mundo enquanto espera pela revolta inevitável, Google faz com que as funcionalidades sejam opcionais, através do Labs. Desta forma, é realmente culpa do usuário se ele não gostar da mudança – e mais importante, é fácil de corrigir. Simplesmente desligue a funcionalidade que você não gostou.

Mas vamos voltar ao núcleo da simplicidade. Simplicidade pode frequentemente significar beleza. Apenas olhe para o que a Atebits fez com Tweetie, um cliente muito simples de Twitter para o iPhone e agora para o Mac. Existiam vários outros clientes de Twitter por aí, mas Tweetie, em minha opinião, é muito melhor porque é simples. Não está tentando fazer muita coisa. Não está tentando puxar o meu feed de Flickr e o meu feed do Facebook. Ele faz uma coisa – e faz essa coisa muito bem.

Outro exemplo é Instapaper, o serviço de bookmark web que eu uso várias vezes ao dia. É assim que ele funciona: Você puxa um bookmarklet para a sua caixa de ferramentas, então quando você encontra algo que quer ler mais tarde, você clica nele. Pronto. Você não precisa de um password se você não quiser. Isso é brilhante porque significa que eu não precisa ficar me logando várias vezes ao dia como fazia com um serviço como o Delicious. Ee me importo se as pessoas sabem o que eu estou lendo? Não, não me importo nem um pouco. Esse password é um peso para o serviço.

O criador do Instapaper, Marco Arment, foi esperto o suficiente para perceber que mesmo que já existissem muitos serviços de bookmark antes do Instapaper, ele não precisava fazer que ele tivesse todas as funcionalidades que os outros tem. Tudo que ele precisava era fazer algo que é muito bom naquilo que ele faz. Ele fez, e no processo eliminou da minha vida o domínio do Delicious.

Voltado para o Facebook por um segundo, seu mais recente redesign foi em alguns níveis uma tentativa de simplificar as coisas; fazer as coisas mais parecidas com o Twitter. O problema é que Facebook tem uma série de regras e relacionamentos complicados por trás, que torna a simplicidade apenas uma fachada que cai quando você começa a realmente olhar para ela. Apenas tente mudar os aplicativos que podem ser atulizar o stream do seu perfil. Vá em frente, eu te desafio. Digo isso porque é um pesadelo de interruptores e alavancas. Se Facebook realmente quer simplificar as coisas, vai precisar de muito mais do que seu stream de feed principal. 

Outro serviço, FriendFeed, também fez um redesign de seu site recentemente, para tornar as coisas mais simples. Acho que eles fizeram um bom trabaho. E enquanto algumas pessoas não gostaram no começo, a maioria parece gostar agora. Mesmo que não seja assim tão diferente (tirando o fluxo de dados em tempo real), ele está mais limpo, e eles tornaram mais fácil outras pessoas seguirem o que você está fazendo.

Uma das aplicações que foi recentemente adicionada a minha rotação regular é o FourSquare. Porque? Bem, principalmente porque meus amigos o usam. Mas porque eles usam? Porque é simples. No seu aplicativo de iPhone, você só precisa de dois cliques para reservar um lugar. Ou você pode enviar uma mensagem de texto para fazer isso. Porque as pessoas gostam do Digg? Porque é simples. Você pode enviar alguma coisa. Ou pode apenas votar. Ou pode apenas ler.

Acho que para a maioria das startups, eu deveria ser capaz de descrever para você, o leitor, exatamente o que um serviço faz usando uma frase. Claro, você pode achar que o serviço é estúpido (como muitos de vocês pensam sobre o Twitter), mas pelo menos eu posso facilmente explicar sua funcionalidade principal. Com algumas startups de hoje, parece que é uma bagunça do tipo “bem, é este mais este menos com um pouco disto se você fizer isto.”

Uma funcionalidade fantástica vale mais do que uma dúzia de funcionalidades medíocres. Foque nela.