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Google Wave: É de comer?

Foi em maio, no evento Google I/O, que o Google apresentou seu novo projeto Google Wave. Desde então, tem sido declarado por muitos como uma revolução da Internet que irá acabar com e-mail, instant messaging, Twitter e todas as formas de comunicação conhecidas até hoje. Parte desse barulho vem da demonstração, que provavelmente bateu algum recorde de funcionalidades por minuto, e parte pelo fato do Google estar por trás do projeto, o que obviamente não aconteceria se o projeto se chamasse Armarinhos Fernando Wave por exemplo.

O que é mais interessante é que aparentemente ninguém sabe responder muito bem o que é o Google Wave, mesmo as pessoas que tem acesso a ele desde a metade do ano. Pelo menos eu tenho visto muita gente que consegue um convite e fica se perguntando o que fazer com a aplicação e porque ela ficou tanto tempo mendigando pedindo convite pros outros (não sei se você sabe, mas para ter acesso ao Wave você precisa ser convidado). E isso acontece mesmo com as pessoas que tem algum traquejo com tecnologia. Mas o que é então o Google Wave? A maioria das pessoas não sabe responder e nem vou ser eu a fazê-lo, não é verdade?

Mas graças a meu amigo Márlon Brum eu consegui acesso à ferramenta e vou mostrar algumas coisas que não são muito óbvias para quem acessa o sistema (pelo menos eu não ia descobrir olhando só para o Wave). O objetivo aqui não é um tutorial, já que acho que o básico seja muito parecido com Gmail, por exemplo. O objetivo é mostrar que o Google Wave tem umas coisas legaizinhas e não serve apenas para jornalistas usarem trocadilhos horríveis (“entre já nessa nova ONDA” ou “um novo jeito de SURFAR na web” – ARGHHHH).

Bots

Uma das coisas mais legais e que diferencia bastante o Wave de outras ferramentas são os bots. Bots são mostrados como contatos normais, como se fossem pessoas, mas na verdade são softwares que podem agir sobre o que você e seus amigos estão escrevendo. Por exemplo, se por acaso você virou seu monitor de cabeça para baixo e não sabe como reverter (juro que já vi um caso desses no Orkut), você pode querer escrever todo seu texto de cabeça para baixo para que você consiga ler. Para isso você pode usar um bot chamado Flippy. Na parte de contatos, digite flippy-wave@appspot.com e adicione o Flippy aos seus contatos. Crie uma wave e adicione o bot para participar. Tudo que você digitar opıʇɹǝʌuı ɹǝɔǝɹɐdɐ ıɐʌ.

Twitter

Uma das coisas que você pode fazer é utilizar o Wave como cliente de Twitter. Para isso basta adicionar o Tweety (tweety-wave@appspot.com) a uma wave. Ele vai pedir que você forneça usuário e senha e pronto, você já vai ver sua timeline e poderá postar pelo formulário no topo.

Tweety

O que é bem decepcionante é que você não consiga postar utilizando blips do próprio Wave (um blip é mais ou menos a unidade de uma wave, algo parecido com cada comentário num blog ou um post num tópico de um fórum). Você é obrigado a usar o formulário no topo. Sem falar que não vi uma forma de atualizar a timeline. O que torna o Tweety o pior cliente de Twitter que já vi, ou seja, por enquanto apenas uma curiosidade, ou uma forma de provocar as pessoas que ainda não tem Wave. Ou eu não saquei como usar e você pode me contar como se faz nos comentários.

Tradutor

Na apresentação do Google I/O fizeram a demonstração de um bot chamado Rosy Etta, que era capaz de fazer a tradução simultânea do que você estava escrevendo (em francês ou português por exemplo) para o inglês. O legal é que era realmente em tempo real, com a tradução sendo realizada a cada palavra digitada. Tentei utilizar Rosy (adicionando rosy@appspot.com a uma wave) e pelo jeito o bot não está funcionando no momento. Dizem que ela foi trabalhar com um vestido curto demais e foi hostilizada aos gritos de “Puta!”. Não mentira. Essa foi outra história. O que dizem é que ela está em desenvolvimento ainda.

Mas não fique triste, porque desenvolveram um bot que faz exatamente a mesma coisa, chamada de Aunt Rosie (ou tia Rosie, que pode ser adicionada com o endereço aunt-rosie@appspot.com). Basta escolher seu idioma e digitar, que a tia Rosie traduz para você.

Tradução simultänea

Gadgets

Basicamente são aplicações que vocë pode inserir em uma wave e então vocë e seus amigos podem interagir com ele. Para adicionar um gadget você precisa ter o endereço dele, e quando estiver editando uma wave clicar no botão da peça de quebra cabeças verde que aparece na barra de ferramentas. Forneça o endereço do gadget e se ele estiver funcionando direito vai aparecer na sua wave.

toolbar

Botão para adicionar gadgets: peça de quebra-cabeças verde ali à direita

Xadrez

Para inserir um tabuleiro de xadrez utilize o endereço http://gerculanum.appspot.com/gadgets/com.example.chessgadget.client.ChessGadget.gadget.xml . Você vai poder então convidar um amigo e se divertir tentando comer a rainha dele.

Tabuleiro de xadrez - o único lugar em que cavalos andam em L

Tabuleiro de xadrez - o único lugar em que cavalos andam em L

Existem outro gadgets de games, mas não vi por exemplo algum de War, ou de Imagem & Ação ou batalha naval. Ou mesmo aquele jogo que as meninas te obrigavam a jogar quando era pequeno: STOP.

SAP BPM

Um exemplo de uma aplicação mais séria está neste vídeo da SAP, onde fzaem umas pequena demonstração de um protótipo de software de modelagem de processos (mais conhecido como Business Process Management) em que todos podem participar e editar os diagramas ao mesmo tempo, praticamente uma rave da modelagem de processos.

Para mais extensões e bots de Wave, deixo aqui este link (nem todos estão funcionando, mas a lista é boa) e a página do Google Labs.

Enfim, se o Google Wave vai se tornar algo revolucionário, vai depender muito de alguém criar algum plugin que seja revolucionário, já que os que estão por aí são apenas os primeiros passos e exemplos do que se pode ser feito com a plataforma. O Google Wave crú, sem nada, que o pessoal encontra logo que recebe seu convite é como pão francës, é muito melhor com um requeijão, Amendocrem ou Nutella. E você programador, não está a fim de criar a próxima Nutella da Internet?

Obs.: Eu não tenho convite para o Google Wave, não adianta pedir. Nem todo mundo que tem acesso ao Wave tem convites.
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O Wolfram Alpha está no ar

Já está no ar o Wolfram Alpha, que todos os bloggeiros e twitteiros mais informados estão chamando de “o próximo Google”.

O serviço foi criado pelo Stephen Wolfram, o criador do Mathematica, que é também o software por trás do motor do Alpha. O Mathematica é um software bastante conhecido pelos acadêmicos de exatas, e é normalmente uma referência de sistema simbólico, capaz de resolver equações com variáveis, por exemplo. E agora, com o Wolfram Alpha, muita coisa que pode ser feita com este software está disponível ao público.

Não entendi muito bem porque todo mundo compara o serviço com o que o Google faz. Para mim, por definição, são serviços bem diferentes e complementares. O Wolfram Alpha foi feito para ser uma máquina de respostas, que computa uma resposta baseada no banco de dados da Wolfram Research que é alimentado por eles, enquanto os dados do Google são os dados da Internet mesmo. Por enquanto o que vejo mais é o Wolfram ocupando muito espaço que hoje é da Wikipedia (que também tem um modelo bem diferente, mas que tem uma finalidade mais parecida).

E do que o Wolfram Alpha é capaz? Pelos testes que eu fiz por enquanto, ele tem muito potencial, ainda precisa atualizar muitos dados e de tempos em tempos ele sai do ar. Ele me responde por exemplo quem foi o terceiro presidente dos Estados Unidos, mas não responde quem é o presidente da Bolívia. Me diz diversos dados sobre o clima de hoje em São Paulo, me diz em que dia da semana e daqui a quantos dias será o próximo dia das Mães no México. Plota gráficos, resolve equações como x^10 +32x^3 + 5.43x^(1/2), resolve problemas de otimização, fornece informações sobre preços de ações, mostra a estrutura de moléculas. Te responde porque a galinha atravessou a rua. Enfim, existem muitos exemplos interessantes no próprio site, e se a Wolfram descobrir uma forma escalável de alimentar essa base, acho que o serviço pode se tornar parte de nossas vidas online, junto com o Google.

A grande questão agora é se essa empreitada se paga. Não vejo um modelo de publicidade como o Adsense funcionando com o Wolfram (“Temos os melhores x^10 +32x^3 + 5.43x^(1/2) aqui! Compare preços!”). De cara, ele já é uma ótima forma de divulgar o poder do Mathematica, que até hoje é bem restrito ao mundo acadêmico, mesmo tendo funcionalidades que o tornam muito útil fora desse contexto. Outra forma mais óbvia de lucrar com isso (pelo menos para o Wolfram) é vender para alguém. O grande problema é que aparentemente a estrutura montada para o site é bem cara, utilizando supercomputadores, coisa bem diferente do Google que prefere ter um monte de servidores normais em uma infraestrutura para utilizar melhor esses recursos.

Uma forma interessante de transformar o site em negócio seria vender alguns tipos de acessos para a engine. Vamos dizer que uma empresa da área de finanças precise resolver alguns problemas matemáticos dentro de sua aplicação. Normalmente precisaria comprar algum pacote bem caro e complicado para integrar. A Wolfram poderia permitir que esses caras fizessem pesquisas no Alpha a um preço bem baixo por cada consulta. Isso geraria renda e seria um modelo escalável.

Enquanto isso a gente espera o próximo Google aparecer.

Twitter: o leitor de mentes?

Alguns anos atrás eu jogava um game chamado Rollercoaster Tycoon. Basicamente um simulador de parque de diversões, em que você construia suas atrações, decidia preços, contratava carinhas para se vestir de bichinho ou para limpar o parque. Era um jogo com gráfixos bem simples para aquela época, mas bem divertido. Mesmo com a tendência dos games serem em 3D, ele cumpria seu papel: era divertido.

Rollercoaster Tycoon

Rollercoaster Tycoon

Mas a coisa mais interessante para mim, como desenvolvedor de software, era que você podia ver o que os clientes do parque estavam pensando. Se reclamavam do preço de um brinqueod, você poderia baixar o preço. Se as pessoas estavam com medo de andar no brinquedo, você poderia diminuir sua intensidade. Se as pessoas tinham fome, lhes construia umas barraquinhas de comes e bebes com preços altos. Eu via isso e ficava pensando como eu seria o melhor administrador de parques do mundo se realmente existisse um software que me permitisse ler as mentes de meus clientes.

Pois para o Michael Arrington da Techcrunch, aparentemente é o que o Google está querendo fazer comprando o Twitter. Ainda não existe confirmação de que o Twitter realmente esteja interessado em ser adquirido pelo Google, mas é um rumor que correu pela Internet nesta semana.

Pro Arrington, o maior valor do Twitter está no fato de que as pessoas dão opiniões sobre produtos usando o Twitter (talvez coisas como “odeio essa cerveja da Schincariol” ou “a embalagem nova da Kuat me lembra mijo”). E se o Google tivesse acesso a isso e pudesse indexar em sua base, teria o banco de dados para marketing mais valioso do mundo. Seria como no Rollercoaster Tycoon, leitura de mentes ao vivo.

Eu pessoalmente acho que não exista tanto feedback honesto assim no Twitter. Mesmo se tiver, se as empresas começarem a tentar levar em consideração cada coisinha que aparecer em twitadas na web, pode começar a deixar a sua equipe de produtos maluca. É a velha história do velho, da mula e do menino.