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Desenvolvedor de software: esta é a sua era!

Houve um tempo em que você precisava encontrar um poço de petróleo para ficar rico. Em um passado mais recente, você precisava ter as manhas (e os nervos de aço) de Wall Street para isso. Mas hoje, mais do que nunca, estamos vivendo a era do desenvolvedor de software, do programador, do engenheiro!

Provavelmente muitos estão pensando que eu cheirei uma mistura de 7 drogas alucinógenas para escrever isto, porque trabalham na área e, apesar de não ganhar um mau salário estão longe de poderem se declarar milionários ou algo do tipo. Muitos provavelmente acham que poderiam ganhar mais e alguns até migram para outros países para ter um rendimento melhor.

Mas acreditem em mim quando digo: nunca antes esteve tão próxima a possibilidade para uma pessoa esperta, com um computador conectado à internet, de fazer muito dinheiro, de gerar um império e de posar tomando champagne na ilha de Caras.

Pode ser você na próxima capa!

Pode ser você na próxima capa!

Então quais são os fatores que tornam o presente tão especial assim para quem escova bits? Em nenhuma ordem em especial, eis a pequena lista:

  • Software de código aberto e de graça: hoje podemos dizer que software livre é uma realidade madura, não apenas um sonho de programadores barbudos. Tanto que existem empresas que se baseiam em open source e não precisam vender seus rins para continuar funcionando (ou podem ganhar algumas centenas de milhões como no caso da SpringSource). Hoje uma pessoa pode iniciar um negócio sem precisar gastar fortunas com software ( e normalmente desenvolvedores são bons o suficiente para lidar com esse tipo de software). Além disso, como estamos falando de desenvolvedores de software, código aberto pode servir como blocos de construção para partes de seu produto ou serviço, diminuindo radicalmente seus custos de desenvolvimento.
  • Computação em nuvem: esta é uma tendência bastante recente e que ainda está amadurecendo. Graças à computação em nuvem você não precisa ter um CPD só seu, ou comprar uma porrada de servidores que você nem sabe se vai precisar e ainda ficar mantendo. A computação em nuvem permite que alguém tenha à sua disposição uma enorme quantidade de poder computacional a um custo muito baixo,  proporcional à sua necessidade. Se você é um desenvolvedor, esta é a forma mais barata de disponibilizar algum produto/serviço para um grande público e poder aumentar seu poder conforme a demanda aumenta. É uma tecnologia que foi um presente dos céus (ok, esta foi muito infame).
  • Internet e redes sociais: nem a internet, nem as redes sociais são novidade, mas o amadurecimento desse conceito de interconectividade das pessoas amadureceu muito (Twitter e Facebook que o digam). Hoje conhecendo a rede, uma pessoa pode divulgar seu produto/serviço com um custo muito menor e com um alcance muito maior, sem precisar gastar fortunas com uma consultoria de marketing. Hoje você pode lançar serviços para o mundo todo, com clientes que você nunca vai encontrar cara a cara, mesmo que você trabalhe de um pequeno escritório com 10 pessoas (contando com a tia do café). Além disso, hoje você pode aprender qualquer coisa relacionada à tecnologia e programação utilizando a Internet, sem depender de cursos e livros, e de graça.
  • Baixo investimento inicial: os itens acima ajudam muito a diminuir o investimento necessário. Mas se você parar para pensar na idéia de algumas pessoas em uma garagem, com um computador conectado à Internet, deve concordar comigo que existem poucos tipos de negócios que podem ser criados com um investimento tão baixo mas com capacidade de gerar tanto retorno, quanto trabalhar com software. Você não precisa se preocupar com matéria-prima, fornecedores, estação do ano, cotação do dólar (em geral). Tudo vêm da sua cabeça! Pense na poesia disso: você pode construir coisas poderosíssimas a partir do nada! Você é praticamente um deus!

Mas se esses fatores estão aí, são de conhecimento de todos, porque não temos programadores se tornando milionários toda semana (aqui no Brasil pelo menos)? Lembre-se que eu mencionei que o desenvolvedor que tem potencial de tudo isso deve ser um pouco esperto. Na verdade, não só esperto, porque iniciar um negócio, principalmente envolvendo inovação tecnológica, sempre exige uma dose de sorte e perseverança. Se isso não te assusta, o que mais você precisa levar em consideração:

  • Você precisa entender um pouco de negócios: quando digo isso não quero dizer que seja necessário que um cara apaixonado por Lisp precise se tornar o Jack Welch. Mas você precisa começar a considerar o que é mercado, concorrência, receita, fluxo de caixa e principalmente: produto. Comece a estudar casos de sucesso e fracasso que se pareçam com o que você tem em mente. E mantenha foco no mais importante e mais simples: o que eu posso oferecer como produto é algo bom o suficiente para alguém se interessar?
  • Idéias estão por todos os lados: acho que até existe muita gente que tem vontade de começar um negócio, mas a desculpa mais usada é que não tem uma idéia. Acho que quando você começa a dar mais ouvidos para seu chato interior, você começa a ver que falta de idéias não é uma boa desculpa. Sabe aquele produto/serviço/software/sextoy/whatever que tinha algum problema, algum detalhe, alguma coisa que realmente te irritou, e que você queria que fosse diferente? Você pagaria por isso se fosse diferente do jeito que você imaginou? Então está aí, o seu produto. Se mesmo com meu processo de criação você não conseguir pensar em nada, delicie-se com a lista de idéias que o Paul Graham da YCombinator disponibilizou um tempo atrás: http://ycombinator.com/ideas.html
  • Não tente ser perfeito: não sei se é algo que eu posso realmente generalizar, mas acho que na cabeça altamente lógica dos programadores, eles procuram o negócio perfeito, da mesma forma que gostariam de construir software sem bugs. O negócio que vai deixá-los ricos e famosos com o mínimo de trabalho, e vai funcionar de forma perfeita quase como mágica, fazendo o Google se sentir humilhado. Mas isso é perda de tempo. Foque em conseguir fazer algo bom o suficiente. Tentar alcançar o perfeito é simplesmente caro demais. Olhe para as empresas que prosperam, e verá que elas não são perfeitas, nem seus produtos (às vezes, bem longe disso). As melhores são as que focam em fazer algo bom o suficiente.
  • Diminuindo os riscos: você não precisa largar seu emprego para começar um negócio. Vai te custar algum tempo que antes era livre para outras coisas, mas pode ser seu bilhete para um pouco mais de liberdade, em troca de um pouco de stress que o medo do incerto iria te gerar (principalmente se você tem família para sustentar).
  • Obtendo investimento: infelizmente no Brasil não temos tantos casos de investimentos quanto um Vale do Silício, em que você acaba esbarrando com investidores nos restaurantes locais. Mas eles existem. Tente focar no simples: se eu fosse um cara com um bocado de dinheiro para investir e fazer mais dinheiro, eu apostaria no meu negócio? Escreva um plano de negócios e mostre que não investir em você pode ser uma oportunidade desperdiçada.

Eu sei que eu falei muito de dinheiro, mas acho que a regra de ouro é você fazer algo que você vá gostar. Começar um negócio porque você acha que qualquer emprego que te ofereçam ou que você consiga por aí não vai satisfazer seu potencial. Porque se você parar para pensar, tudo que falei dá um trabalho animal, maior do que provavelmente você encara no seu emprego. Se você vai ter muito trabalho, é melhor que seja com algo que você goste (provavelmente se você não gosta, você nem vai aguentar muito tempo tentando). E que a médio ou longo prazo vai te dar alguma satisfação pessoal. Porque o fator mais incerto disso tudo é o retorno financeiro.

E o que vou falar agora vai soar como coisa de livro de auto ajuda, mas é algo em que eu realmente acredito (além do Paul Graham e Guy Kawasaki). Se for fazer algo, faça algo para mudar o mundo para melhor. Sério, soa meio idealista e romântico, mas eu não acho que a promessa de retorno financeiro seja um motivador o suficiente para trilhar esse caminho tão difícil. Quando você faz algo que torna a vida de algumas pessoas melhor, você está mudando o mundo para melhor. Quando você dá o exemplo do que é agir corretamente e com valores, você está tornando o mundo melhor. Você conhece algo mais motivador do que mudar o mundo para melhor?

Faça história!

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Metodologias ágeis X Metodologias tradicionais

Existem infinitas formas de se contruir sistemas de software, e todo mundo que trabalha com isso procura pela galinha dos ovos de ouro, a metodologia perfeita para se construir software perfeito, no menor prazo possível, e que no final clientes e desenvolvedores são felizes para sempre.  É óbvio que isso só existe em contos de fadas. Mas nos corredores de empresas de software e em alguns botecos estranhos você deve ouvir calorosas discussões de defesa sobre a metodologia X ou o processo Y. E nos últimos anos (nos últimos 10 anos mais ou menos) a batalha da vez acontece entre as metodologias ágeis contra as metodologias iterativas mais tradicionais.

Usar cascata já era!

Usar cascata já era!

As metodologias iterativas mais utilizadas são o RUP e suas variantes (para criar uma variante, adicione o sufixo UP no final de uma palavra legal). Dão muita ênfase ao processo, ao controle do andamento do projeto através de delivarables (que normalmente são diagramas de diversos tipos, como diagramas de classes ou diagramas de interação). São muito utilizadas em fábricas de software, em projetos que envolvem muitos desenvolvedores, e não são sinônimos, mas estão sempre de mãos dadas com siglas como CMMi, e PMI. Se os gerentes da empresa gostam dessas duas siglas, tem pouco cabelo e estão na área há mais de 20 anos, é alta a probabilidade de que utilizem uma metodologia iterativa tradicional. Surgiram em resposta às metodologias em cascata, que já foram predominantes.

As metodologias ágeis são uma tentativa de refinar as metodologias iterativas, tirando o foco do processo em si e dando mais ênfase à contribuição das pessoas, dos integrantes do projeto. Trazem alguns conceitos que as diferenciam radicalmente das metodologias antecessoras, como deixar o cliente participar mais próximo ao processo, iterações extremamente curtas e grande ênfase em testes automatizados. Por outro lado, pesquisadores e mesmo defensores dessas práticas não recomendam times muito grandes para um projeto (e alguns propõem dividir o projeto em subprojetos e trabalhar com equipes menores). Os métodos mais conhecidos nesta categoria são Extreme Programming (mais carinhosamente conhecido como XP) e Scrum.

Mesmo tanto tempo depois da definição de métodos ágeis, da publicação do Manifesto Ágil, e de tanta gente pregando e achando que métodos ágeis são legais, porque é que isso não é ainda utilizado em larga escala? Entre alguns motivos estão:

  • Burocracia como requisito: existem clientes que pedem pela burocracia, pelo processo mais rígido. Só contratam empresas que tenham fábrica de software com CMMi nível 50, e fazem questão de saber que foram definidos 432 diagramas, mesmo que nunca vá parar para dar uma olhada para eles.
  • Maturidade: obviamente existe um número muito maior de projetos bem sucedidos utilizando metodologias que existem a mais tempo. Não precisa ser um gênio para perceber isso. Por isso, mais gente que conhece e tem experiência com esses processos. Processos mais novos são obviamente mais atrativos para algumas empresas picaretas oferecerem serviço de desenvolvimento de software.
  • Nível técnico da equipe: no caso de muitos gerentes, ao mesmo tempo que métodos ágeis são vistos como processos que exigem ninjas-Mcgyver-programadores, eles acham que suas equipes são formados por macacos bonobos. Ou para diminuir os custos, realmente tentam contratar macacos bonobos a preço de banana. Quando você acredita que tem uma equipe não muito capacitada, acaba querendo ter mais controle sobre o processo. Quanto menos a mão de obra precisar pensar, menor o seu risco, você só bota um monte de especificações para eles executarem e dá choquinho se eles fizerem errado (não me apedrejem, essa é a visão dos caras de gravata).
  • Medo: meio que resume os outros itens. Mas basicamente, as pessoas preferem não mexer em time que aparentemente está ganhando. Você sabe que a metodologia B.A.T.A.T.A. vai te entregar um sistema. Pode demorar, custar caro e ficar cheio de problemas, mas vai entregar um sistema. Preferem não arriscar.

Se nenhuma dessas razões acima perturba sua área de desenvolvimento, acho que posso assumir que a razão para que vocês não tenham considerado Agilizar seus processos é o simplesmente não conhecer muito bem o que são métodos ágeis. Vou tentar entregar o caminho das pedras abaixo.

Mitos e concepções erradas

A primeira coisa que muita gente pensa quando ouve falar de métodos ágeis é que não existe documentação para o software sendo desenvolvido, que o processo é um oba-oba em que vale tudo e as pessoas saem fazendo as coisas que querem, praticamente uma suruba no escuro.

É verdade que métodos ágeis na verdade não chegam a ser métodos e nem processos, mas sim conjuntos de diretrizes para se chegar a um bom resultado final, e por isso, não existe o passo 32 do processo que exige que você desenhe um diagrama UML usando 3 cores diferentes coloridos com crayon. Mas diagramas e documentação existem, mas são ditados pelo bom senso. Você gera um documento para comunicar algo para outros seres humanos, para deixar algo mais claro no design para outros seres humanos entenderem. Você não gera um diagrama que ninguém vai ler mas que você foi obrigado a gerar para não tomar choquinho do seu gerente de projeto. Mas o lado ruim disso é que bom senso é um conceito bem pouco formal. Ou seja, se seu time tiver um “bom senso” ruim (existe isso? ou seria mau senso?) você está lascado.

Por causa dessa percepção que as pessoas tem de que as coisas podem meio que ser feitas de qualquer jeito com métodos ágeis, existem muitos casos reportados de projetos fracassados utilizando essas metodologias, o que acabou espantando ainda mais as empresas grandes em relação a sua adoção. Mas também existem casos conhecidos de muito sucesso como a Primavera Systems e o Salesforce.com, que utilizavam anteriormente processos iterativos tradicionais.

Conheça as histórias de sucesso e de fracasso. Provavelmente se alguém olhar para a porcentagem de projetos tradicionais que fracassam e olhar para a mesma estatística no caso de metodologias ágeis, vai chegar a conclusão de que a competência do time é mais importante que o processo utilizado.

Maiores vantagens

  • Iterações curtas. Você entrega versões funcionais do sistema com mais frequência, em espaços mais curtos de tempo (que podem ser poucas semanas, ou um mês). Assim seu cliente corre menos risco, porque sabe sempre como está o andamento do projeto, e pode te dar muito mais feedback. Todo mundo fica feliz.
  • Diminuição dos custos de comunicação. É o tipo de custo que as pessoas dificilmente colocam no papel. Mas olhe para métodos mais dirigidos por especificações e diagramas. Todos esses artefatos são feitos com o objetivo de comunicar alguma coisa (pelo menos deveria ser esse o principal objetivo de um diagrama). O problema é que ao mesmo tempo, as pessoas utilizam exatamente os mesmos diagramas como documentação de longo prazo. O resultado disso é que durante o processo são gerados muitos documentos e diagramas que não são utilizados para comunicar nada, apenas para registrar como as coisas deveriam ser. E no final de tudo, tente descobrir se seu software realmente está seguindo toda aquela documentação gerada. É mais fácil construir outro sistema.
  • Levar em consideração que as coisas vão mudar ao longo do caminho. Enquanto você está especificando o sistema, as coisas estão mudando, e quem sabe aquilo que você bolou só vai servir para forrar galinheiro. Então você faz iterações curtas, para que essas mudanças tenham o mínimo de impacto no projeto. Você controi testes para garantir que mudanças futuras sejam mais seguras de fazer através de refatoração do código. E você tenta sempre resolver o problema que você tem na mão, não fica tentando criar a super solução genérica para casos que você nem sabe se vão aparecer. O último ponto é algo extremamente útil quando você tem na equipe pessoas que gostam muito de modelagem de arquitetura de sistemas, e que gostam de bolar coisas extremamente complicadas. O cliente não vai pagar mais pelo software que tiver a arquitetura mais bonita. Mas vai ficar mais feliz pelo software entregue mais cedo.

Algumas práticas são boas de qualquer jeito

Mesmo que você não vá adotar um processo ágil, existem práticas bem difundidas pela comunidade que DEVERIAM ser adotadas independente do processo utilizado. Repare que coloquei DEVERIAM em maiúsculas e negrito de propósito. Deveria ser lei, obrigação, sujeito a 30 açoitadas em praça pública para quem não seguisse essas práticas.

Testes automatizados. Automatize o máximo de testes que puder. Sim, vai dar mais trabalho. Não, não vai acabar com todos os bugs. Mas mais tarde, quando você precisar fazer uma refatoração mais radical, ou resolver algum bug ou alteração que surgiu, você não precisa mais ter medo e suar frio. Com um clique em um botão você sabe se quebrou alguma coisa (dependendo de quanto os seus testes são bons, claro). É infinitamente mais útil você ter um negócio que te dá essa informação sobre seu software do que pilhas e pilhas de qualquer tipo de documentação e especificação. Tente usar um UML para descobrir se você pode fazer uma alteração nas suas classes de objetos. Incontáveis vezes pude resolver problemas muito rapidamente simplesmente porque gastei algumas horas a mais escrevendo testes. Lembre-se, testes são como remédio ruim. Na hora que você está tomando vai reclamar, mas vai agradecer pelos benefícios no futuro.

Integração contínua. Pode ser visto como uma extensão dos testes automatizados. Automatize a integração e o build do seu software. Não deixe para descobrir no dia da entrega que o negócio não funciona (ou só funciona se o seu código e o do Juca estiverem separados).

Iterações curtas. Entregue versões do seus sistema com mais frequência e descubra mais cedo se você está indo na direção certa. É muito melhor quando isso acontece depois de duas semanas do que três meses depois. E se quer realmente saber se é possível cumprir seu prazo, você precisa deixar que os desenvolvedores, as pessoas que botam a mão na massa, estimem o tempo. Eles tem mais noção que você (que quer o prazo para ontem) e seu cliente (que quer o prazo para duas semanas atrás).

Gostei, como posso saber mais sobre isso?

Como literatura, acho que o melhor começo é o livro do Kent Beck, Extremme Programming Explained, um dos primeiros livros lançados sobre o assunto. Depois que você ler o livro do Beck, e quiser um livro mais prático, direto e DE GRAÇA, eu recomendo o Scrum and XP from the Trenches, do Henrik Kniberg.

Abaixo uma rápida e divertida introdução a Scrum:

Em breve vou fazer um post sobre ferramentas gratuitas para gerenciamento de projetos ágeis.

Me desculpem, mas só consigo links e vídeos bons em inglês. Se alguém tiver sugestões em português ou mesmo vídeos legendados, por favor me indiquem que eu coloco aqui.