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O Wolfram Alpha está no ar

Já está no ar o Wolfram Alpha, que todos os bloggeiros e twitteiros mais informados estão chamando de “o próximo Google”.

O serviço foi criado pelo Stephen Wolfram, o criador do Mathematica, que é também o software por trás do motor do Alpha. O Mathematica é um software bastante conhecido pelos acadêmicos de exatas, e é normalmente uma referência de sistema simbólico, capaz de resolver equações com variáveis, por exemplo. E agora, com o Wolfram Alpha, muita coisa que pode ser feita com este software está disponível ao público.

Não entendi muito bem porque todo mundo compara o serviço com o que o Google faz. Para mim, por definição, são serviços bem diferentes e complementares. O Wolfram Alpha foi feito para ser uma máquina de respostas, que computa uma resposta baseada no banco de dados da Wolfram Research que é alimentado por eles, enquanto os dados do Google são os dados da Internet mesmo. Por enquanto o que vejo mais é o Wolfram ocupando muito espaço que hoje é da Wikipedia (que também tem um modelo bem diferente, mas que tem uma finalidade mais parecida).

E do que o Wolfram Alpha é capaz? Pelos testes que eu fiz por enquanto, ele tem muito potencial, ainda precisa atualizar muitos dados e de tempos em tempos ele sai do ar. Ele me responde por exemplo quem foi o terceiro presidente dos Estados Unidos, mas não responde quem é o presidente da Bolívia. Me diz diversos dados sobre o clima de hoje em São Paulo, me diz em que dia da semana e daqui a quantos dias será o próximo dia das Mães no México. Plota gráficos, resolve equações como x^10 +32x^3 + 5.43x^(1/2), resolve problemas de otimização, fornece informações sobre preços de ações, mostra a estrutura de moléculas. Te responde porque a galinha atravessou a rua. Enfim, existem muitos exemplos interessantes no próprio site, e se a Wolfram descobrir uma forma escalável de alimentar essa base, acho que o serviço pode se tornar parte de nossas vidas online, junto com o Google.

A grande questão agora é se essa empreitada se paga. Não vejo um modelo de publicidade como o Adsense funcionando com o Wolfram (“Temos os melhores x^10 +32x^3 + 5.43x^(1/2) aqui! Compare preços!”). De cara, ele já é uma ótima forma de divulgar o poder do Mathematica, que até hoje é bem restrito ao mundo acadêmico, mesmo tendo funcionalidades que o tornam muito útil fora desse contexto. Outra forma mais óbvia de lucrar com isso (pelo menos para o Wolfram) é vender para alguém. O grande problema é que aparentemente a estrutura montada para o site é bem cara, utilizando supercomputadores, coisa bem diferente do Google que prefere ter um monte de servidores normais em uma infraestrutura para utilizar melhor esses recursos.

Uma forma interessante de transformar o site em negócio seria vender alguns tipos de acessos para a engine. Vamos dizer que uma empresa da área de finanças precise resolver alguns problemas matemáticos dentro de sua aplicação. Normalmente precisaria comprar algum pacote bem caro e complicado para integrar. A Wolfram poderia permitir que esses caras fizessem pesquisas no Alpha a um preço bem baixo por cada consulta. Isso geraria renda e seria um modelo escalável.

Enquanto isso a gente espera o próximo Google aparecer.

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Seu site deveria ser seu principal vendedor

Hoje em dia é impossível falar de negócios e tecnologia sem falar de internet. São palavras que sempre andam juntas. E mesmo assim, muitas empresas não dão muita importância para seus próprios sites. Existe sim, na cabeça da maioria dos gerentes, diretores e presidentes a necessidade de ter um site, de mostrar para o mundo que a empresa realmente existe e é tão moderna que tem até um site na Internet. Isso porque empresa sem site e que usa e-mail do Hotmail ou da UOL se tornou sinônimo de empresa fundo de quintal.

Site para quê? Eu uso meu muro.

Site para quê? Eu uso meu muro.

Quando eu digo que muitas empresas não dão a importância que deveriam para seus sites, não estou me referindo apenas a empresas pequenas ou médias. Como eu preciso usar muitos sites de empresas de tecnologia, principalmente profissionalmente, eu tenho uma bronca especial com alguns desses sites. Pense no nome de alguma empresa grande de TI no mercado mundial. Com 90% de chances, eu acho o site dessa empresa, que veio a sua mente agora, uma bosta.

Normalmente esses sites são bonitos (pelo menos a página inicial), e tem um monte de palavras na moda pulando para todos os lados (como Cloud Computing agora e SOA uns tempos atrás). Sempre tem fotos de pessoas de terno e gravatas muito felizes fazendo negócios. E normalmente tem quotas para sexos e raças para mostrar como a empresa respeita a diversidade. Até aí, não acho que seja ruim.

Os grandes problemas aparecem quando você precisa usar o site de verdade, precisa encontrar informações, precisa encontrar um certo download, alguma especificação mais detalhada. Esses sites são grandes labirintos, com mecanismos de busca frustrantes. E os departamentos de marketing fazem o favor de dar nomes diferentes para cada segmento e cada nicho que cada subproduto precisa atender. E dois meses depois acham que é a maior idéia do mundo mudar o nome daquela linha de produto. Isso se chama gente que precisa mostrar serviço, sem realmente fazer muita coisa.

E quando você está na página de um produto tentando descobrir o que afinal aquele produto faz. Você vasculha, lê um monte de coisa e continua com uma floresta de interrogações na cabeça. Simplesmente porque as empresas aparentemente acham que quanto mais palavras existirem para explicar um produto em sua página, maiores as chances de convencer que aquele produto vale a pena.  Acordem, o cara vai ler as primeiras frases, e se não descobrir o que você está vendendo, vai embora frustrado, ele não tem tempo para isso. E porque toda página de produto precisa dizer que ele diminui seus custos, tem alto ROI (retorno de investimento) e diminui seu TCO (Total Cost of Ownership)?? Se todos os produtos fazem isso, vamos omitir essas informações. Me avisem quando vocês estiverem vendendo algo que tenha baixo ROI. E toda vez que uma dessas siglas aparecem em um texto, o cérebro das pessoas entra no automático, porque nessa hora é acionado o Bullshit detector. Elas sabem que você que escreveu esse texto só está enrolando. Você que escreveu essas “informações” sabe disso.

Se vocês duvidam disso, façam um exercício de paciência. Por exemplo, tentem montar uma comparação técnica dos principais produtos de virtualização de servidores x86. Ou de produtos de backup. Se você fizer um levantamento razoável, garanto que mais de uma dia frustrado você gastou e não reuniu todas as informações.

Essa minha revolta toda é porque eu não consigo acreditar que as pessoas que tomam as decisões nessas empresas não percebam que tudo isso não é inteligente. É como se fosse um trabalho feito de qualquer jeito, sem pensar, porque o chefe mandou fazer. “Joguem um monte de informações no nosso site. E deixem bem bonito!”. E eu posso dizer que sofri um bocado com isso, me frustrei bastante, mesmo quando trabalhava como parceiro de umas dessas empresas. Por isso, se alguém de uma dessas empresas algum dia por acaso, chegar a ler este post, eu peço: por favor simplifiquem! Sem ficar enrolando. Eu garanto que do jeito que as coisas funcionam hoje, vocês estão deixando de ganhar muitos clientes. E irritando muitos parceiros.