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Equipes de tecnologia odeiam gerentes não técnicos

Ao conhecer uma pessoa, o profissional de tecnologia começa a classificar: esse pessoa é técnica ou não? Ela já teve que configurar um banco de dados ou uma fila de mensageria? Ela sabe como usar criptografia? Ela consegue entender a arquitetura de um sistema olhando para um diagrama? O quanto ela entende de tecnologia?

Isso não acontece porque técnicos se consideram uma casta diferente que só se relaciona com pessoas da mesma turma. O problema todo se resume à comunicação. Se você precisa explicar algo para uma pessoa que também é técnica, pode levar em conta que ela já sabe conhece algumas informações básicas, e isso torna a explicação mais fácil. E isso torna o trabalho do técnico mais fácil.

Outro problema são as expectativas mágicas que os leigos têm em relação aos técnicos. Por não saber como as coisas funcionam, tentam imaginar como devem funcionar. Por isso na hora de explicar um problema técnico que está tendo, pessoas não técnicas tentam explicar de uma forma que talvez não vá fazer muito sentido para o técnico. Pode ser uma reclamação de que um documento importante sumiu, fazendo o pessoal do CPD perder tempo recuperando o arquivo do backup quando na verdade a janela do Word estava só minimizada.

Por isso, uma situação que cria muita insatisfação é quando o gerente de uma equipe de tecnologia não é uma pessoa com perfil técnico. Normalmente alguém que está no cargo porque tem experiência em gerir pessoas, projetos, clientes. E para muitas empresas, essa estratégia parece natural, já que funciona com outras áreas da empresa, em que os especialistas são os membros da equipe e o gestor só coordena e cobra. Por que a equipe de TI seria especial?

O problema de comunicação entre técnicos e não-técnicos afeta o dia a dia da relação com o gerente. O gerente da equipe é uma das pessoas com que o profissiona de tecnologia mais vai ter que interagir. Se ele não for técnico, você tem esse desgaste a mais de energia tentando explicar conceitos básicos, preparando uma aula só para passar um status do andamento de um projeto.

Dependendo do gerente, suas expectativas mágicas podem causar muito stress para a equipe, principalmente quando ele é responsável por estabelecer os prazos. Para o gerente não-técnico, uma mudança no sistema pode parecer trivial, algo que vai tomar algumas horas. Mas olhando com mais cuidado, um técnico pode detectar que isso vai exigir mudanças grandes que podem tomar meses. E se o gerente não tiver como renegociar esse prazo (ou simplesmente quiser mostrar serviço para seus superiores), a equipe é quem paga o pato de trabalhar fora do horário de serviço para entregar o que foi pedido.

Nem toda empresa pode ou consegue achar alguém com o perfil de gerente técnico. É possível fazer uma equipe técnica e um gerente não-técnico funcionarem juntos, mas é mais difícil. Esse gestor precisa ter humildade e facilidade para aprender um pouco sobre a tecnologia usada por sua equipe, não necessariamente entendendo os detalhes de quem bota a mão na massa, mas o suficiente para entender uma conversa sobre o assunto. Também é importante ter confiança com a equipe, pedindo dos profissionais feedback quando o lado técnico afetar seu trabalho.

Algo que pode ajudar é utilizar a cultura de equipes autogerenciadas, muito difundida na comunidade de métodos ágeis. Nesse caso, o gerente funcionaria mais como um facilitador.

De qualquer forma, ter um gerente técnico pode ajudar muito na hora de contratar novos membros para sua equipe. Na hora da seleção o gerente vai saber o que realmente importa na prática, enquanto o candidato pode se sentir mais motivado de saber que vai trabalhar com alguém que entende o lado dele.

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Negócios que qualquer programador poderia criar

Depois que o Bill Gates se tornou rico e a profissão de programador se tornou mais conhecida, existe uma expectativa de que pessoas com a habilidade de escrever softwares se tornem empreendedores. Existem incubadoras e investidores nos Estados Unidos que só investem em empresas que têm desenvolvedores em seu time de fundadores. E nos churrascos de família seus parentes estão sempre olhando para você e se perguntando porque você ainda não criou o próximo Facebook.

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“Quando você ficar rico lembra que eu te dei a maior linguiça rs.”

E muitos deles pensam em seguir esse caminho, mas esbarram na desculpa da falta de ideias. Eles olham para o que o Google faz e sentem que não tem capacidade técnica suficiente ou que vão precisar de muita ajuda para construir algo. Ou olham para sistemas que as empresas compram como ERPs, CRMs, sistemas de RH e não entendem os problemas que esses produtos resolvem, e por isso não sabem como poderiam criar algo assim.

Mas um programador não precisa ter PHD em Stanford ou ter sócios que entendem de um domínio muito específico de negócio para criar um produto e começar uma empresa. Existem problemas que já estão a seu alcance, e pessoas dispostas a pagar para resolver esses problemas.

Para ilustrar vou dar exemplos de algumas empresas que começaram com produtos que são tecnicamente muito fáceis de construir. Ideias tão simples que provavelmente já passaram pela cabeça de muito programador, mas que por acharem que era simples demais também devem ter pensado que não teriam como lucrar com elas. Ideias que quando você vê funcionando como empresas, fica se perguntando como não pensou nisso antes (mesmo já tendo pensado nisso).

Buffer

A Buffer é uma ferramenta que posta atualizações em suas redes sociais em horários agendados ou calculados. Sua empresa pode usar a ferramenta para divulgar um link em todas as suas redes sociais sem ter o trabalho de entrar em cada site e postar o conteúdo no horário certo.

O básico desse serviço pode ser feito por um script que execute no horário certo (usando um job de cron por exemplo) e faça chamadas de API para disparar a postagem do conteúdo. E na verdade, foi assim que eles começaram.

Hoje a Buffer tem receita de mais de U$ 600 mil/mês, com pelo menos 46 mil clientes, de acordo com seu dashboard aberto na Baremetrics.

StatusPage

A StatusPage fornece um site onde uma empresa que tem serviços online pode mostrar informações sobre o status de seus serviços, e fornecer atualizações a seus usuários sobre os problemas que estão afetando sua disponibilidade. Por exemplo, o Kickstarter usa o StatusPage para atualizar seus clientes sobre o progresso de alguma correção no site caso ele saia do ar por problemas técnicos.

O serviço deles é basicamente um site, algo que poderia ser feito por alguém que não sabe programar. Bastaria saber configurar um CMS. É um serviço tecnicamente fácil de fornecer.

Mas os clientes da StatusPage vêem valor no que eles oferecem. A última vez que a StatusPage divulgou números de sua receita foi em janeiro de 2014, quando atingiram U$ 25mil/mês.

StoreMapper

A StoreMapper fornece uma busca de lojas físicas para que um comércio que tenha vários endereços ou fábrica que fornece produtos para várias lojas permitam que um cliente encontre um endereço onde pode fazer a compra usando seu site.

Criar algo assim poderia ser muito complexo, a não ser que você fizesse como a StoreMapper e usasse a API do Google Maps para exibir os resultados. Isso torna a implementação do serviço muito mais fácil.

Atualmente a StoreMapper tem 889 clientes e receita de U$ 15 mil/mês, de acordo com seu dashboard aberto no BareMetrics.

A sua ideia

Que fique claro que não estou dizendo que é fácil criar uma empresa. O básico de cada exemplo que listei pode ser implementado por qualquer programador, mas é claro que com o tempo esses empreendedores foram melhorando o produto para que ele forneça muito mais valor a seus clientes. Além disso, o sucesso de uma empresa não depende só da parte técnica.

O que quero dizer é que boas ideias para negócios podem vir de problemas que estão a seu redor e que podem ter soluções simples que estão ao seu alcance.

Pequenas histórias de pequenas empresas milionárias

Eu já escrevi aqui que desenvolvedores tem vários recursos para se tornarem donos de seus próprios narizes e quem sabe mudar um pouco o mundo. Mas provavelmente muitos devem olhar para o que eu disse e se coçar para não postar um comentário como “ok amg, mas como é que eu vou brigar com o Google, IBM e Microsoft se nem sei fazer miojo?” ou “como eu vou montar uma equipe grande o suficiente para fazer um produto que alguém compraria? como eu pago esse pessoal? com o corpo??”. Por isso achei que era a hora de dar alguns exemplos, para quem sabe mudar a cabeça dos incrédulos e para inspirar os que já estão convencidos da idéia.

Resolvi pegar dois exemplos de empresas pequenas, que ficaram milionárias em um curto espaço de tempo, que não receberam nenhum investimento externo e que basicamente começaram como um empreendimento de uma pessoa só, empresas em que apenas o fundador fazia tudo no começo. Alguns podem dizer que U$1 milhão é pouco para uma empresa, e realmente é o que a maioria do pessoal que trabalha com Venture Capital iria pensar já que eles estão correndo atrás dos próximos Googles e Facebooks. Não sei vocês, mas eu já estaria bem confortável nessa situação, e principalmente orgulhoso de saber que aquele milhão fui eu que construí.

Tentei resumir ao máximo a história das empresas só para que o maior número de pessoas as conheçam, mas recomendo que os interessados se aprofundem, leiam as entrevistas completas, blogs e twitters dos empreendedores. E sem querer desmerecê-los, já que obviamente são pessoas muito competentes, pense se não poderia ser você contando essas histórias.

Twitpic

Em 2008, um sujeito chamado Noah Everett, na época um programador web, montou um site para ajudar a compartilhar fotos no Twitter, chamado Twitpic. Fez isso usando um único servidor, pagando do próprio bolso, desenvolvendo sozinho o serviço. Por um ano e meio ele era a única pessoa da empresa. Hoje a empresa tem quatro funcionários (Noah, seu pai, sua mãe e um programador contratado que ele nunca viu pessoalmente). Hoje o site é um dos serviços mais populares do Twitter, prestes a atingir a marca de 6,5 milhões de usuários e faturando aproximadamente U$1,5 milhões por ano.

Você pode assistir uma entrevista com Noah aqui (em inglês). E visitar o Twitpic aqui.

Balsamiq

Em março de 2008, o italiano Giacomo Guilizzoni fundou a Balsamiq Studios, para vender um software chamado Mockups, usado para fazer wireframes, muito úteis nas fases de prototipação de softwares e websites. Giacomo que já foi Engenheiro de Software Senior na Adobe, sendo um dos responsáveis pelo Adobe Connect por exemplo, gostava de desenvolver software, mas também se interessava muito por business e queria ter seu próprio negócio. Mesmo sendo uma empresa de um homem só (e ajudado pela esposa), ele conseguiu 5000 clientes em menos de 11 meses e só contratou o primeiro funcionário em 2009. Hoje a empresa é formada por quatro pessoas, contando com sua esposa e registrou lucro em 2009 de exatos U$1.139.919,59.

Você pode ler uma entrevista com Giacomo aqui. Outra mais recente aqui. O site da Balsamiq Studios é este aqui.

Se você conhecer mais histórias como essas, compartilhe conosco aí nos comentários. Me ajude a inspirar os próximos milionários.

Desenvolvedor de software: esta é a sua era!

Houve um tempo em que você precisava encontrar um poço de petróleo para ficar rico. Em um passado mais recente, você precisava ter as manhas (e os nervos de aço) de Wall Street para isso. Mas hoje, mais do que nunca, estamos vivendo a era do desenvolvedor de software, do programador, do engenheiro!

Provavelmente muitos estão pensando que eu cheirei uma mistura de 7 drogas alucinógenas para escrever isto, porque trabalham na área e, apesar de não ganhar um mau salário estão longe de poderem se declarar milionários ou algo do tipo. Muitos provavelmente acham que poderiam ganhar mais e alguns até migram para outros países para ter um rendimento melhor.

Mas acreditem em mim quando digo: nunca antes esteve tão próxima a possibilidade para uma pessoa esperta, com um computador conectado à internet, de fazer muito dinheiro, de gerar um império e de posar tomando champagne na ilha de Caras.

Pode ser você na próxima capa!

Pode ser você na próxima capa!

Então quais são os fatores que tornam o presente tão especial assim para quem escova bits? Em nenhuma ordem em especial, eis a pequena lista:

  • Software de código aberto e de graça: hoje podemos dizer que software livre é uma realidade madura, não apenas um sonho de programadores barbudos. Tanto que existem empresas que se baseiam em open source e não precisam vender seus rins para continuar funcionando (ou podem ganhar algumas centenas de milhões como no caso da SpringSource). Hoje uma pessoa pode iniciar um negócio sem precisar gastar fortunas com software ( e normalmente desenvolvedores são bons o suficiente para lidar com esse tipo de software). Além disso, como estamos falando de desenvolvedores de software, código aberto pode servir como blocos de construção para partes de seu produto ou serviço, diminuindo radicalmente seus custos de desenvolvimento.
  • Computação em nuvem: esta é uma tendência bastante recente e que ainda está amadurecendo. Graças à computação em nuvem você não precisa ter um CPD só seu, ou comprar uma porrada de servidores que você nem sabe se vai precisar e ainda ficar mantendo. A computação em nuvem permite que alguém tenha à sua disposição uma enorme quantidade de poder computacional a um custo muito baixo,  proporcional à sua necessidade. Se você é um desenvolvedor, esta é a forma mais barata de disponibilizar algum produto/serviço para um grande público e poder aumentar seu poder conforme a demanda aumenta. É uma tecnologia que foi um presente dos céus (ok, esta foi muito infame).
  • Internet e redes sociais: nem a internet, nem as redes sociais são novidade, mas o amadurecimento desse conceito de interconectividade das pessoas amadureceu muito (Twitter e Facebook que o digam). Hoje conhecendo a rede, uma pessoa pode divulgar seu produto/serviço com um custo muito menor e com um alcance muito maior, sem precisar gastar fortunas com uma consultoria de marketing. Hoje você pode lançar serviços para o mundo todo, com clientes que você nunca vai encontrar cara a cara, mesmo que você trabalhe de um pequeno escritório com 10 pessoas (contando com a tia do café). Além disso, hoje você pode aprender qualquer coisa relacionada à tecnologia e programação utilizando a Internet, sem depender de cursos e livros, e de graça.
  • Baixo investimento inicial: os itens acima ajudam muito a diminuir o investimento necessário. Mas se você parar para pensar na idéia de algumas pessoas em uma garagem, com um computador conectado à Internet, deve concordar comigo que existem poucos tipos de negócios que podem ser criados com um investimento tão baixo mas com capacidade de gerar tanto retorno, quanto trabalhar com software. Você não precisa se preocupar com matéria-prima, fornecedores, estação do ano, cotação do dólar (em geral). Tudo vêm da sua cabeça! Pense na poesia disso: você pode construir coisas poderosíssimas a partir do nada! Você é praticamente um deus!

Mas se esses fatores estão aí, são de conhecimento de todos, porque não temos programadores se tornando milionários toda semana (aqui no Brasil pelo menos)? Lembre-se que eu mencionei que o desenvolvedor que tem potencial de tudo isso deve ser um pouco esperto. Na verdade, não só esperto, porque iniciar um negócio, principalmente envolvendo inovação tecnológica, sempre exige uma dose de sorte e perseverança. Se isso não te assusta, o que mais você precisa levar em consideração:

  • Você precisa entender um pouco de negócios: quando digo isso não quero dizer que seja necessário que um cara apaixonado por Lisp precise se tornar o Jack Welch. Mas você precisa começar a considerar o que é mercado, concorrência, receita, fluxo de caixa e principalmente: produto. Comece a estudar casos de sucesso e fracasso que se pareçam com o que você tem em mente. E mantenha foco no mais importante e mais simples: o que eu posso oferecer como produto é algo bom o suficiente para alguém se interessar?
  • Idéias estão por todos os lados: acho que até existe muita gente que tem vontade de começar um negócio, mas a desculpa mais usada é que não tem uma idéia. Acho que quando você começa a dar mais ouvidos para seu chato interior, você começa a ver que falta de idéias não é uma boa desculpa. Sabe aquele produto/serviço/software/sextoy/whatever que tinha algum problema, algum detalhe, alguma coisa que realmente te irritou, e que você queria que fosse diferente? Você pagaria por isso se fosse diferente do jeito que você imaginou? Então está aí, o seu produto. Se mesmo com meu processo de criação você não conseguir pensar em nada, delicie-se com a lista de idéias que o Paul Graham da YCombinator disponibilizou um tempo atrás: http://ycombinator.com/ideas.html
  • Não tente ser perfeito: não sei se é algo que eu posso realmente generalizar, mas acho que na cabeça altamente lógica dos programadores, eles procuram o negócio perfeito, da mesma forma que gostariam de construir software sem bugs. O negócio que vai deixá-los ricos e famosos com o mínimo de trabalho, e vai funcionar de forma perfeita quase como mágica, fazendo o Google se sentir humilhado. Mas isso é perda de tempo. Foque em conseguir fazer algo bom o suficiente. Tentar alcançar o perfeito é simplesmente caro demais. Olhe para as empresas que prosperam, e verá que elas não são perfeitas, nem seus produtos (às vezes, bem longe disso). As melhores são as que focam em fazer algo bom o suficiente.
  • Diminuindo os riscos: você não precisa largar seu emprego para começar um negócio. Vai te custar algum tempo que antes era livre para outras coisas, mas pode ser seu bilhete para um pouco mais de liberdade, em troca de um pouco de stress que o medo do incerto iria te gerar (principalmente se você tem família para sustentar).
  • Obtendo investimento: infelizmente no Brasil não temos tantos casos de investimentos quanto um Vale do Silício, em que você acaba esbarrando com investidores nos restaurantes locais. Mas eles existem. Tente focar no simples: se eu fosse um cara com um bocado de dinheiro para investir e fazer mais dinheiro, eu apostaria no meu negócio? Escreva um plano de negócios e mostre que não investir em você pode ser uma oportunidade desperdiçada.

Eu sei que eu falei muito de dinheiro, mas acho que a regra de ouro é você fazer algo que você vá gostar. Começar um negócio porque você acha que qualquer emprego que te ofereçam ou que você consiga por aí não vai satisfazer seu potencial. Porque se você parar para pensar, tudo que falei dá um trabalho animal, maior do que provavelmente você encara no seu emprego. Se você vai ter muito trabalho, é melhor que seja com algo que você goste (provavelmente se você não gosta, você nem vai aguentar muito tempo tentando). E que a médio ou longo prazo vai te dar alguma satisfação pessoal. Porque o fator mais incerto disso tudo é o retorno financeiro.

E o que vou falar agora vai soar como coisa de livro de auto ajuda, mas é algo em que eu realmente acredito (além do Paul Graham e Guy Kawasaki). Se for fazer algo, faça algo para mudar o mundo para melhor. Sério, soa meio idealista e romântico, mas eu não acho que a promessa de retorno financeiro seja um motivador o suficiente para trilhar esse caminho tão difícil. Quando você faz algo que torna a vida de algumas pessoas melhor, você está mudando o mundo para melhor. Quando você dá o exemplo do que é agir corretamente e com valores, você está tornando o mundo melhor. Você conhece algo mais motivador do que mudar o mundo para melhor?

Faça história!

Contra a regulamentação da profissão de analista de sistemas

O Projeto de Lei 607/2007 chegou ao Senado com parecer favorável (e você pode acompanhar o processo neste link, se o servidor do Senado te ajudar). É um tema que já foi bem discutido em outros blogs, como o Não ao PLS 607/2007, dedicado a isso, pelo Professor Silvio Meira, e por colegas de profissão, como Phillip Calçado e Rodrigo Kumpera. Recomendo que leiam esses posts todos, que possuem muitos argumentos com os quais concordo.

Para resumir a história, o projeto de lei propõe a criação de um Conselho Federal de Informática e Conselhos Regionais espalhados pelo país, no mesmo molde do Conselho de Medicina. Também seguindo o modelo dos nossos amigos médicos, o projeto de lei quer tornar obrigatório que um Analista de Sistemas seja formado em uma faculdade de Ciência da Computação, Sistemas de Informação ou Processamento de Dados. E quem não tem nenhum desses diplomas? Quem possuir 5 anos comprovados trabalhando em TI, vai ter uma colher de chá, mas os outros serão considerados ilegais.

Muita gente olha para isso e pensa que essa lei vai botar ordem na casa. Afinal, médicos são fodões, e respeitados e ganham melhor que você que programa em Visual Basic. Finalmente, depois de tantos livros e cursos que você fez, vai poder andar na rua com muito mais orgulho, e blá, blá, blá.

Desculpem o balde de água fria, mas essa lei é um retrocesso, um atraso para o país. Não é um passo para trás, é praticamente um moonwalking. Eis os principais porquês:

Competitividade no cenário global: o Brasil já tem dificuldade para competir com outros países na hora de vender TI por causa da burocracia, dos impostos e da barreira da língua. Coloque mais uma coisa para dificultar, como por exemplo uma regulamentação da profissão de analista de sistemas, e veja investidores começando a olhar para o Kuwait ou Polônia como opções mais lucrativas que o Brasil. Pior, começa a valer muito mais a pena para as empresas brasileiras contratarem serviços de outros países, como a Índia. A regulamentação no Brasil não vai criar e nem proteger empregos. Ela faz os empregos migrarem.

Barreira ao empreendedorismo: no Brasil já é complicado abrir um negócio, porque a lei não te ajuda, os impostos comem todo aquele capital que você preferia transformar em mais empregos. A regulamentação da informática torna as coisas ainda mais complicadas, ainda mais hoje que toda empresa precisa pelo menos um pouco de TI. Obrigado a contratar pessoas com diploma e todos os outros detalhes exigidos pelo Conselho Regional, o empreendedor se torna refém dos preços tabelados causados pela falta de mão de obra.

Barreira à inovação: Países que são pólos efervescentes de inovação em tecnologia como os Estados Unidos e a Índia não criam esse tipo de barreira e é por isso que estão aonde estão. O Vale do Silício (de onde sairam as principais e mais famosas empresas de TI do mundo) não existiria com uma lei que torna mais complicada a captação de talentos. E como uma regulamentação pode definir o que é o mínimo que um profissional deve conhecer em uma área tão dinâmica como tecnologia? Isso acaba tendo o mesmo efeito que o vestibular, em que as pessoas vão investir nesse conjunto mínimo de habilidades, ao invés de se arriscar estudando coisas que poderiam gerar muito mais valor.

Baixa oferta de mão de obra qualificada: a gente já está cansado de ouvir as notícias de que está faltando mão de obra qualificada para preencher as vagas de tecnologia em empresas. Mesmo com a crise isso é verdade, como você pode ver nos sites de ofertas de emprego. Com a regulamentação você torna o número de possíveis candidatos ainda menor. O que começa a tornar interessante terceirizar ou contratar serviços em outros países. Ou fechar as portas. Ou engolir a qualidade baixa de qualquer jeito (você não acha que ter diploma seja sinônimo de qualidade, certo?).

Incentivo à mediocridade: não posso opinar sobre outras profissões que não conheço direito. Mas em informática, uma reserva de mercado só vai servir para proteger os medíocres, os caras que tem o diploma e pagam a mensalidade do Conselho Regional em dia, mas que são profissionais bem “mais ou menos”. Normalmente são os caras que se formaram em alguma Uniesquina do grupo Tabajara (se alguém se forma no seu curso sem saber programar, seu curso é picareta) por aí, em que o processo seletivo se tratava de assinar o cheque, e quase todo mundo se forma no tempo certo (se pagar direitinho). Esse cara pode ficar mais despreocupado ainda em tentar melhorar, já que a carteirinha de registro dele e a falta de mão de obra seguram o emprego dele. Se bobear, ele apenas assina os projetos. Os caras bons, diferentes dele, hoje já se diferenciam tanto que não tem problema para se colocar. Se souberem vender seu peixe até conseguem um bom salário. Os bons não precisam dessa lei para se proteger.

Farinha do mesmo saco?: O projeto de lei trata todo profissional de TI como Analista de Sistemas ou Técnico de informática. Inclusive diz que pessoas que vão gerenciar projetos ou fazer auditoria precisam ser profissionais com diploma na área. Tudo bem que acho meio complicado lidar com gerente de TI que entende pouco de informática, mas acho um exagero dizer que alguém precise de um diploma na área para entender o suficiente para gerenciar o projeto. Desenvolver um sistema e gerenciar pessoas são competências muito diferentes, e acredito que uma pessoa que se formou em Ciência da Computação não morra de amores por gerenciar um projeto, da mesma forma que alguém que se formou em Administração não deve achar muito legal desenhar a arquitetura em camadas de um sistema web de alta performance. Acho besteira desperdiçar o tempo dos professores e desses alunos que acham mais legal gerenciar, com aulas sobre árvores rubro-negra, por exemplo. Sem falar que os cursos de TI normalmente não tem quase nada voltado a planejamento, coordenação e etc. (ainda bem, porque se tivessem iriam deixar de fora partes importantes do currículo).

Mais uma taxa para machucar seu bolso: Essa é fácil de justificar. Você, trabalhador honesto, acha legal pagar uma taxa anual (ou mensal, sei lá) para poder continuar trabalhando honestamente? E os impostos que você já paga?

Diploma como um fim: a regulamentação parte do pressuposto de que o diploma é um fim, e não um meio para que o sujeito se torne um bom profissional. Como se ao receber o diploma ele se tornasse um ser iluminado, saindo de seu casulo dourado para se tornar um super mega fodaço analista de sistemas. Acredito que todo mundo que trabalha na área já conheceu gente que tem o diploma e mesmo assim é um zero à esquerda como profissional. Todo mundo da área sabe que existem muitas faculdades que não se preocupam com a qualidade do curso, e sim com a lucratividade do negócio do diploma. A regulamentação ajuda as pessoas que vêem o diploma como um fim a se tornarem mais acomodadas ainda. Porque elas sairam do casulo dourado.

Contra-argumentos comuns e esperados

Reservei este espaço para já deixar meio respondidos os principais contra argumentos (alguns meio idiotas) que vejo por aí quando este assunto é discutido.

Você está reclamando porque não tem diploma“: Falso. Eu sou formado em Ciência da Computação. Mesmo assim, acho idiota esse argumento. Discussões se fazem com idéias, não com credenciais.

Você deixaria uma pessoa qualquer que não fosse formada em medicina te operar numa sala de cirurgia?“: Dã! Esse contra argumento assume que essas duas profissões são muito parecidas, o que não é verdade. A medicina não avança na mesma velocidade que a tecnologia. A medicina é uma profissão em que o diploma está muito mais próximo da finalidade a que se propõe (vide metáfora do casulo dourado), mesmo que no decorrer da profissão o profissional precise se atualizar. E principalmente, em uma mesa de cirurgia uma pessoa pode morrer. Como você vai saber se aquele cara que vai te operar (cruz-credo, bate na madeira) pelo menos tem uma idéia do que está fazendo? Um jeito de testar é deixar ele fazer, mas você pode não estar lá para dar o veredito depois. Em informática, você pode e deve levar um tempo para avaliar a competência de alguém. Se você tem um cara muito ruim no seu projeto, você vai notar depois de um mês. Você não tem um mês para avaliar um médico.

Sem a regulamentação a área fica cheia de oportunistas que aprenderam a programar com um livrinho de banca de jornal e oferecem o serviço a preços muito baixos.“: Oi, conhece capitalismo? Se o serviço que esse garoto fornece, com conhecimento de banca de jornal, atende o que esse suposto cliente está querendo, qual é o problema? E se o que o cliente queria era realmente algo muito simples, possível de se fazer com conhecimento de banca de jornal? Esse cliente também tem que ter na cabeça de quem ele está comprando, e está assumindo esse risco. Muitos vão preferir um profissional graduado para não arriscar e vão pagar mais por isso. O mercado tem diferenças gritantes de salário, e na minha opinião é muito mais questão da pessoa saber se vender (no bom sentido).

Conclusão

A regulamentação só gera mais dinheiro para donos de faculdades picaretas, para as pessoas que vão fazer parte desses conselhos e vai passar um bom tempo contando o dinheiro das mensalidades dos profissionais registrados e para os profissionais mais acomodados. É uma lei que beneficia poucos e prejudica o crescimento do país. Enquanto isso, países que levam a tecnologia e desenvolvimento a sério nem cogitam criar uma lei como essa.

Marketing na rede

Usar a Internet para fazer marketing é uma arte. Ninguém hoje pode dizer que entende de verdade disso, do jeito que o jogo muda e do jeito que tudo isso é novidade. Toda hora aparece um canal novo, como Facebook ou Twitter, e sempre a única estratégia que funciona é inovar. Porque esse é um jogo de quem consegue viralizar sua campanha, de fazer ela se espalhar como fogo em mato seco. Fazer as pessoas trabalharem na divulgação da sua campanha. O efeito de uma campanha que dá certo é sempre surpreendente. Mas pela natureza desse tipo de campanha, pela necessidade de inovar, é que é um jogo tão difícil. A palavra mais adequada nesse caso é imprevisibilidade.

Mas muitas campanhas de marketing podem surgir do nada, sem intenção nenhuma dos responsáveis pela marca, pelo produto ou serviço, e da mesma forma se espalhar, para o bem ou para o mal. É nessas horas que as empresas tem que mostrar como respondem rapidamente, e tentar aproveitar da melhor forma possível uma oportunidade. Usar a seu favor uma campanha que já se espalhou pela rede é a melhor coisa que pode acontecer para quem cuida do marketing dessas empresas.

E enfim, existem empresas que sabem e empresas que não sabem jogar esse jogo. E abaixo dois casos recentes.

A Amazon vende uma camiseta (e eu nem sabia que eles vendiam camisetas) que não tem nada demais, que se chama Three Wolf Moon, que como o nome diz, tem a figura de três lobos uivando para Lua. Algum engraçadinho postou uma avaliação sobre o produto dizendo que logo que saiu na rua com a camiseta foi abordado por mulheres (mas que não quis nenhuma delas porque um cara com uma camiseta de três lobos não deveria aceitar as primeiras ofertas que lhe são feitas. Outro diz que ao se perguntar que roupa Jesus vistiria, a resposta é muito simples: camiseta dos três lobos. A brincadeira pegou e agora ela tem quase 500 avaliações engraçadinhas. E mais interessante ainda para a Amazon: aumentou a venda em 2300% !

Em um caso mais recente, a Fnac do Brasil protagonizou um episódio que está sendo conhecido como Fnac Fail. Por um erro de seus sistemas, diversos produtos, incluindo TVs de LCD e notebooks, estavam sendo vendidos a R$9,90. Vários internautas que viram esses preços começaram a encher seus carrinhos. Dizem que a falha durou só uns dez minutos, mas está dando o que falar até agora. A Fnac já cancelou esses pedidos e rolam soltas até agora discussões sobre o caráter das pessoas que compraram. Não é esse ponto que eu quero tocar. Independente da Fnac ter agido certo ou dos consumidores terem agido errado, acho que a Fnac tomou a pior estratégia que poderia, se falarmos de marketing, da imagem da empresa. Se não fosse um erro, quando isso ocorreu e até a Fnac se posicionar, eu poderia dizer que foi uma jogada de mestre. Uma estratégia que aparentemente parece absurda, se viralizou na rede. É nessa hora que a Fnac deveria se aproveitar dessa divulgação que teve e honrar suas vendas ou entrar em algum acordo com os compradores “em off”. Eu não acredito que as compras realizadas em 10 minutos de site tenham saído mais caras que a aparição da empresa no programa “O Aprendiz”. Provavelmente teria sido a campanha de marketing mais bem sucedida da empresa no mundo virtual. Atrairia tráfego para o site de gente atrás de mais ofertas malucas. Além disso, ao deixar claro que se tratou de erro, e permitindo que isso se transformasse num barraco virtual de gente discutindo sobre isso pela internet brasileira inteira, deixou claro também que um de seus principais sistemas, que é o que publica seus preços, tem falhas. Isso deixa os consumidores pensando, que se o sistema que trás diretamente dinheiro para a Fnac tem problemas, será que posso mesmo confiar no resto da estrutura? A forma como a empresa respondeu a esse problema levantou mais problemas ainda. A Fnac perde, o comércio eletrônico perde e os consumidores perdem.

E se as gracinhas dos Three Wolf Moon acontecessem na Fnac? Muito provavelmente eles apagariam os comentários e acabaria aí a chance de alavancar em 2600% as vendas de um produto. Porque a forma como a Fnac respondeu deixou bem claro que eles estão tocando um empreendimento no mundo virtual como se fosse uma de suas lojas físicas.

Update 21/01/2010: Este vídeo de uma apresentação do Alexis Ohanian (fundador do Reddit) no TED, mostra o que eu quero dizer. O video saiu bem depois de eu ter escrito este post, por isso estou fazendo este adendo.

Startups

Este post é metade análise de um livro que li faz pouco tempo e metade divagações sobre a realidade do tema aqui no Brasil.

O livro. Startup, da Jessica Livingston. Lá fora o livro se chama Founders At Work (e tem o dobro do tamanho). É uma coleção de entrevistas com vários fundadores de empresas de tecnologia, como Apple, Yahoo, Paypal, Adobe, 37signals, entre outros, e foi lançado no Brasil há pouco tempo. Na maioria das entrevistas a autora conversa com os fundadores que são o lado mais hacker da empresa, e por isso na maior parte do tempo o livro acaba recheado de histórias envolvendo problemas e detalhes técnicos (sem entrar em muitos detalhes, obviamente), mas que com certeza surgem para toda empresa que está tentando inovar. Também relatam seus desafios pessoais relacionados a esse desafio de abrir uma dessas empresas que hoje são tão admiradas (e invejadas) por muita gente. O aspecto de negócios fica bem de lado, então não compre o livro achando que vai encontrar dicas de como gerar um negócio milionário.

O livro é uma ótima forma de incentivar pessoas inteligentes a pelo menos pensar na possibilidade de abrir uma startup. Ela mostra como todos esses negócios que mesmo hoje parecendo tão sólidos, passaram por dificuldades, obstáculos, tipo de coisa que fazem as pessoas desistirem de tentar levar a cabo uma idéia, uma vontade e continuar vivendo em seus cubículos. Por exemplo, o Steve Wozniak da Apple quase desistiu de abrir a empresa porque gostava do emprego que tinha. Provavelmente hoje não exitiria um iPhone se fosse por isso. O Evan Williams, que criou o Blogger, ficou um tempo sem dinheiro, trabalhando sozinho, perdeu amigos que trabalhavam para ele e teve que pedir dinheiro de doação para comprar servidores, para manter o serviço de pé. Tempos depois vendeu o serviço pro Google e hoje ele é o CEO do Twitter, alguém já ouviu falar? E para quem se dá a desculpa de que não tem uma boa idéia, sabia que o Flickr começou como um add-on para um jogo que a empresa produzia e acabou virando seu negócio principal? Às vezes boas idéias só vão surgir no meio do caminho, depois que você explora um pouco essa estrada.

Existem outras histórias muito interessantes, mas se você entende inglês recomendo que leia a versão americana que tem o dobro de entrevistas (que não li e não entendi até agora porque foi lançado assim no Brasil).

Startups no Brasil. Startup no modelo como essas do livro, do tipo que se encontra aos baldes lá no Vale do Silício, é bem difícil de se ver por aqui. Mesmo que se diga que o Brasil é um país de empreendedores, empresas que cheguem a esse nível de inovação (e por consequência alto risco) não são muito comuns. Na época da bolha da Internet, em que os investidores investiam em qualquer coisa que terminava com pontocom, até surgiram muitas empresas baseadas em tecnologia, mas a maioria sem um modelo sólido de geração de receita. As poucas que sabiam como gerar receita, como o MercadoLivre e o Buscapé, estão aí, bem firmes no espaço nacional. Ultimamente, com a onda da Web 2.0, outras empresas promissoras estão aí em todas as reportagens que se referem a negócios de Internet no Brasil, como a Aprex, a Camiseteria, a Boo-box e a Via6. Alguns nomes surgem no blog Startupi, mas comparando com outros países, muito poucos.

Muitos dizem que a razão de não existir um fenômeno como o Vale do Silício por aqui é a dificuldade de se empreender neste país. Fosse por isso, não existiriam outros tipos de negócio surgindo, numa proporção bem maior que as de tecnologia. Falta de investimento? Hoje chegamos em um ponto em que nunca foi tão barato criar um produto utilizando um computador e gerar um negócio a partir disso (provavelmente um tema para um post futuro). Se você escreve código e tem um computador a disposição, você já tem quase tudo que precisa, ou pelo menos a parte que seria a mais cara, e você nem precisa largar seu emprego para fazer algo. Junte isso a um plano bem elaborado, em que você mostre que vai um dia equilibrar as contas e ganhar mais dinheiro do que gasta, e pronto, você consegue algum investimento (se ninguém investir nesse negócio, é porque seu plano está ruim, ou o seu candidato a investidor não foi com a sua cara). É lógica de economia de primário.

Para mim existem duas grandes razões para que startups não sejam um fenômeno brasileiro:

  1. Falta de exemplos/modelos: nós não temos uma quantidade tão grande de caras que começaram a trabalhar numa garagem e se tornaram bilionários, como o Bill Gates, Jeff Bezos ou os caras do Google.Lá fora esses exemplos de sucesso são um fator que motiva muita gente a pelo menos tentar. Talvez o Brasil não tenha como gerar um Google, mas com certeza pode gerar bons negócios. E se não temos casos de sucesso (ou se eles são poucos conhecidos) é sua chance de mudar o país para melhor, de incentivar outras pessoas se tornando um exemplo.
  2. Mentalidade de país pobre: nós não somos um país rico, mas também não somos um país pobre. Mesmo assim, acho que muita gente tem essa mentalidade de que não dá para fazer nada muito inovador, avançado tecnologicamente por aqui, porque nós somos o Brasil e não uma potência como os Estados Unidos. Isso faz as pessoas pensarem coisas como “esse negócio de empresa de tecnologia é coisa de gringo”, “aqui no Brasil isso nunca ia funcionar”, que claramente é besteira. E faz as pessoas investirem em certificações, fábricas de software e treinamentos, com a esperança de tornar isso aqui uma versão mais barata da Índia.

Conheço gente muito inteligente, muito competente, que com certeza poderia estar fazendo muita diferença para o país, mas além dos fatores acima, por serem tão competentes, eles podem escolher pela segurança (teórica) de um emprego normal, e ganhar razoavelmente bem para os padrões brasileiros. Claro que empreender é arriscado, é trabalhoso, mas fico me perguntando se as pessoas encontram satisfação em um emprego “normal” na área de TI. Se elas encontram propósito, se podem dizer que estão mudando o Brasil, mudando o mundo.